"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

LOUCURAS (parte V), ou das coisas que só acontecem comigo

Cajá-Rock-City

Agosto de 2010

Inicio de período na faculdade que trabalho.

Segundo período de Serviço Social


Após uma loonga conversa com uma amiga de infância que seria minha aluna, pedindo (ou melhor, implorando) para que ela não revelasse situações constrangedoras sobre essa que vós escreve com os meus futuros alunos, sigo linda e “loira” (haha) para a sala de aula onde os mesmos me aguardava ansiosamente - tendo em vista minha fama de mal (devo tudo a turma de serviço social do período anterior – eu amo vocês!! [nunca!])


Chegando a sala alguns me acompanham e entram também. Depois de longos 25 minutos explicando a ementa do curso, minha formação acadêmica, a importância de metodologia do trabalho científico para vida acadêmica e fazendo a apresentação da turma, minha amiga de infância/aluna sai para atender o celular dela. Quando volta para a sala de aula, segue o diálogo...


Aluna D. (apavorada com a possibilidade de ser a primeira contemplada com o nome na minha lista negra): Professora eu queria pedir desculpa a senhora (?).


Amiga/aluna: (prendendo o riso)


Eu (com a maior cara de taxo): Desculpa por quê?


Aluna D. (demonstrando toda a sua preocupação e sinceridade): Eu vi quando a senhora (?) entrou na sala de aula, mas não entrei porque pensei que fosse aluna nova. Só agora quando P. veio atender o celular foi que fiquei sabendo que a senhora era a professora. Até tinha estranhado que muita gente tinha entrado na sala de aula, mas nunca que ia achar que era a senhora (?), uma pessoa tão jovem, que iria nos dar aulas. Eu sempre imaginei que os professores deveriam ser mais velhos que os alunos, mas pelo visto estou enganada. A senhora (?) é quase da idade do meu filho mais velho.


Eu (constrangida pela sinceridade da aluna): Não tem problema, estou apenas explicando a turma a proposta de trabalho, etc e tal.



Depois do final da aula fiquei com uma pergunta na cabeça: Será que tenho que parecer uma velha para que os alunos me levem a sério? Acho que nãããoo, essa turma foi maravilhosa e adoraria trabalhar com eles novamente em outro período.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

“Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem” CAIO FEERNANDO ABREU

E mais uma vez ele diz tudo que estou sentindo agora. Esse misto de tristeza, abandono e saudade que tem me consumido nos últimos dias. Uma saudade que dói, que feri, que não passa.

Uma chuva fina, que insiste em continuar, mesmo quando se tenta mudar o foco das atenções, mas que volta, quando menos se espera.

Tenho tentado fugir dessa tristeza, mas é complicado. Os dias andam tão negros que parece ser mais um elemento que compõe o cenário dos meus dias de dezembro. E mesmo com toda a ajuda que tenho recebido, nada parece mudar. Essa chuva que cai lá fora também cai aqui dentro.

Esse vazio tem me consumido muito, um vazio que não tem sentido. Só sabe do que estou falando quem sente a mesma coisa/sensação. E não adianta tentar explicar, pois nenhuma palavra que conheço é tão fidedigna quando essa dor.

domingo, 12 de dezembro de 2010

LOUCURAS (parte IV), ou, pra bom entendedor meia palavra basta.

Cajá-Rock city, quinta-feira, 09 de dezembro de 2010, a tarde



Cenário: Sala da minha casa.

Personagens envolvidos: Mainha, F (sua amiga) e eu.



Segue-se a cena:



Mainha e F conversão animadamente sobre algum assunto, quando entro na sala para comunicar que estou de saída e que talvez tire direto da terapia para o trabalho. Eis então que F resolve olhar pra mim e diz:



F: Titia a senhora deixou Aninha furar outro buraco na orelha?



Mainha: Por mim ela não teria feito...



E as duas fazendo de conta que não estou na sala ouvindo a conversa, continuam.



F: Quem fura a orelha mais de uma vez é bandido, daqui a pouco ela vai fazer tatuagem.



Ana (respira fundo): F é o seguinte: já sou de maior faz um tempinho, furei e furarei minha orelhas quantas vezes quiser e achar melhor e farei uma tatuagem também, só que ninguém tem nada com isso, afinal o corpo é MEU. Já faz quase dois anos que furei minha orelha e só agora você notou. Nesses dois anos mudei muito, terminei meu mestrado, arrumei um emprego, tenho muitas outras responsabilidades que não tinha antes do brinco, pago minhas contas e por ai vai...



F: Mas o que estou querendo dizer é...



Ana (com raiva): O que você quer dizer é que estou a um passo de me tornar “marginal”. Sinto te decepcionar. Não vai ser um brinco, ou uma tatuagem que vai fazer com que eu mude meu caráter (Acho que nada fará). Quanto a isso as duas podem ficar tranqüilas. Agora muito me espanta esse tipo de “observação” da sua parte. Também não é porque estou com a orelha “cheia” de brincos que vou sair povoando o mundo, fazendo um filho a cada esquina e dando para minha mãe criar, como acontece por ai... Acho que você deveria se preocupar mais com as coisas da sua casa (deveria ter acrescentado: e deixar de ser tão hipócrita)



Revelando alguns fatos para os leitores: F tem uma filha que engravidou com 19 anos, teve duas filhas que são criadas por ela e nem por isso a filha cuidou em procurar emprego ou mudar de vida. P teve os mesmo “privilégios” que eu tive. Fomos colegas de escola durante a vida quase toda e eu estou aqui trabalhando feita uma louca, contando os dias para entrar de férias, enquanto P fica de festa em festa sem nenhum tipo de responsabilidade. Ai vem F e me diz o que devo ou não fazer... Sinceramente, vai catar coquinho. Quem ela pensa que é? Fiquei tão indignada com a situação que nem dei mais oportunidade para F falar. Fui saindo e ainda bem que tinha terapia na quinta, pois nem sei o que teria sido de mim...



A noite mainha veio pedir desculpa por não ter dito nada...



Enfim, odeio hipocrisia. Desde quando um brinco ou uma tatuagem podem falar pelo caráter das pessoas?

sábado, 11 de dezembro de 2010

. . .

O que estou fazendo agora? Simples, muito simples, tentando não sucumbir às intempéries do final de ano. Dezembro é sem sombra de dúvida o mês que mais odeio. Janeiro chega logo, que dia 22 tem show de Bethânia na praia em JP!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Da série: A música da vez

É assim que me sinto


Socorro

Cássia Eller

Composição: Arnaldo Antunes/Alice Ruiz

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A música da vez

Hoje vamos de música, estou sem inspiração para postar. Então resolvi passar aqui só pra dizer que sobrevivi ao show de Biquini Cavadão.


?
(Ana Cañas)

Como faz pra dizer que não?
Como se disfarça a intenção?
O que fazer com a obrigação?
Como faz pra te conhecer?
Como faz para te esquecer?
Como faz para amar você? Você.

Como faz para não cantar?
Como faz para arrepiar?
Como faz para se entreter?
Como faz para andar na rua?
Como faz para ver o dia?
Como faz para ter alegria?

Como faz para musicar?
Como faz pra não machucar?
Como faz para se libertar?
Como faz pra ficar feliz?
Como faz para não morrer?
Como faz para entender?

Que se faz...
Só para fazer.



OBS: O nome da música é interrogação, mas bem que poderia se chamar "Comofaz?". Ah, se vocês não conhecem o trabalho dessa moça, digo que: CORRAM é muito bom!