"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A vida continua, apesar de...

Ter saído com meus amigos ontem para mostrar a cidade me levou a um tempo que não tenho mais. Um gosto ao mesmo doce e azedo de saudade. Saudade do que foi e não é mais. Ontem sai e vi como tudo mudou e como meu poder de observação anda fazendo falta. Conversamos, rimos, bebemos, comemos pizza, fizemos planos para a USP em julho, de assistir algum jogo do Timão (que seja libertadores) nos dias que iremos passar em Sampa, que sabe até um show de Rita Lee (Deus, por favor!) e o final de semana no Rio. Falamos sobre a nossa profissão, sobre ser historiador, sobre como a gente precisa sempre do passado, do presente e do futuro.

A II Semana de História foi/está sendo uma experiência única. É uma carga na bateria que anda cansada. Saber que outras pessoas compartilham as mesmas preocupações com os rumos da educação, saber que mesmo com todas as dificuldades, ainda assim insistem em continuar, nos dá uma leveza de espírito que levá-nos a enxergar uma luz no fim do túnel.

A conferência de abertura foi simplesmente a coisa mais linda e emocionante que presenciei na academia. V. chamou uma professora da época de graduação (que se acha uma velha historiadora, como ela mesma falou, batendo a porta da aposentadoria e que teve a maior felicidade quando a filha mais nova revelou que iria fazer história na Unicamp) para proferir a palestra. Esta muito emocionada por ver os seus “meninos” (V. e R.) coordenando um encontro de historiadores, não conseguiu segurar as lágrimas e deixou a emoção correr solta. Foi como uma libertação, aquela sensação de que tudo que se fez não foi em vão, e todos percebemos e sentimos na pele uma espécie de ritual de passagem, quando os velhos abrem espaço para os mais novos, mostrando os caminhos que foram trilhados, as heranças e as dificuldades que iremos enfrentar...

M. S. R. primeiramente agradeceu a oportunidade, e começou falando para os futuros e novos historiadores, lançando a pergunta: “Que historiadores vocês querem ser?”. Durante toda a fala ela se utilizava de canções, poemas, e chamava a atenção para a necessidade de recorrer aos clássicos da história (Marc Bloch – Apologia da História ou Oficio do Historiador e George Duby – A História continua). Confesso que nessa hora me senti um pouco culpa, faz tempo que não leio esses livros. E nunca alguém me falou de forma tão convincente sobre a importância desse tipo de texto

Em vários momentos M. S. R. recorreu a Oração do tempo, a poemas de Clarice Lispector e trechos de Apologia da história para justificar a sua fala e sua preocupação como os futuros e atuais historiadores. E ficou claro pra mim que nunca existirá ex-professor e nem ex-historiador. São práticas que se complementam e nunca poderão ser anuladas, porque pensar e fazer pensar vai muito além dos muros da escola ou dos gabinetes.

Durante e depois da conferência, pensei tanta coisa... Vivi tantos momentos únicos... Vi que a vida continua, apesar de...

Enquanto eu, A. e MM viajávamos na maionese, a esposa de MM ligou e comunicou que final era verdade, ela estava grávida. Ele então, entre lágrimas de felicidade nos falava na luta deles para ficarem grávidos. E quando as emoções voltaram ao normal, MM falou que iria ler Apologia da História para o/a filho/a dele, e que mesmo que ele/a não queira ser historiador/a fará de tudo para que a criança tenha uma consciência história sobre o seu tempo.

E foi assim... Um final de tarde e inicio de noite que nos reservou várias surpresas.

FIM

sábado, 9 de outubro de 2010

"Se você olha pra mim, se me dar atenção..."


Ontem fui para a festa de comemoração dos 7 anos da instituição que trabalho e que também comemorava a aprovação dos cursos de medicina e psicologia pelo MEC. A minha felicidade foi maior quando anunciaram que a apresentação principal seria Renata Arruda. Sempre gostei do som dela e nunca tinha tido oportunidade de vê-la cantar em JP porque sempre acontecia alguma coisa na hora H...

Então ontem depois da aula fui para a festa. Chegando lá meus alunos estavam e meus amigos. Fico com meus amigos a uma boa distancia do palco conversando bobagens quando a Naja Mor e a Primeira Dama chegam (momento desagradável). Como ninguém desconfia da minha “inimizade” não declara à Naja, simplesmente faço de conta que não os vi. A primeira dama veio falar comigo, conversamos amenidades, até mesmo porque ela não tem nenhuma culpa no incidente protagonizado pelo seu “marido”.

Só que infelizmente quando não gosto de uma pessoa sou muito má! Não perdi a oportunidade de rir (interiormente) das mancadas e babaquices da cobra venenosa. Ele deve ter algum distúrbio mental, pois é inconcebível uma pessoa quase sexagenária dançar como os adolescentes que estavam na festa. Tenho certeza ABSOLUTA que hoje ele não vai conseguir se levantar da cama e por um momento adoraria ser uma mosca para presenciar a cena (o veneno escorrendo pela boca)... Mas enfim, vamos ao show propriamente dito...

Antes da atração principal teve uma “bandeca” de “pagode” muito do FULEIRO que só poderia ser da cidade de Sousa, cujos detalhes não vou me ater.

No intervalo entre uma e outra atração, vejo um grupo de alunos passando do nosso lado, falo com eles, mas uma ex-aluna que sei que é lésbica deu em cima de mim descaradamente – detalhe: ela estava acompanhada. Fiquei super constrangida pois as pessoas do meu grupo não sabem da minha orientação sexual. Sei que devo ter mudado de cor, olhei toda desconfiada para ver se alguém tinha notado... Achei que não e fiquei na minha. (Tenho absoluta certeza que a intenção dela era comprovar se eu sou ou não lésbica, uma vez que sou discreta, afinal Cajazeiras é um ovo e as línguas maldosas são hábeis em destilar veneno)

Quando Renata Arruda resolve aparecer no palco (00:30) eu e a torcida do Corinthians já estávamos cansados de esperar. Alguém deveria ter dito a ela que amanhã é sábado e todos os mortais têm que trabalhar se quiserem sobreviver... Metade dos meus amigos já tinham ido embora e eu não estava muito afim de ficar com o povo esquisito da FSM. Imploro a minha prima Luana pra ficar pelo menos até ela cantar as músicas que me fizeram ficar até aquela hora.

Vamos para perto do palco onde tinha pouca gente. Outros amigos se juntam a nosso e ficamos prestando atenção aos detalhes do show. Então eis que a minha ex-aluna surge no nada. Ela manteve a mesma estratégia, só que dessa vez sustentei o olhar e pude notar que a “namorada” dela viu TUDINHO! Ela (minha ex-aluna) ficou ruborizada e saiu de perto...

Saldo na noite: notei que não apareceu nenhum rosto novo na praça; a pirralhada continua bebendo como se amanhã não fosse mais ter cerveja no mundo; briga de mulher é a coisa mais emocionante na fase da terra; o Butantã estava em peso na festa, mesmo com toda a rivalidade com a FSM; a esposa da minha chefinha é uma gatosa (como todo respeito!); Renata Arruda não mudou o seu repertório; e eu continuo maldosa e venenosa como sempre, além de ter chegado a conclusão de que estou ficando velha para determinadas coisas, tipo: trabalha o dia todo e a noite ir para uma festa. É, a idade é FODA! =P