"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

“Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem” CAIO FEERNANDO ABREU

E mais uma vez ele diz tudo que estou sentindo agora. Esse misto de tristeza, abandono e saudade que tem me consumido nos últimos dias. Uma saudade que dói, que feri, que não passa.

Uma chuva fina, que insiste em continuar, mesmo quando se tenta mudar o foco das atenções, mas que volta, quando menos se espera.

Tenho tentado fugir dessa tristeza, mas é complicado. Os dias andam tão negros que parece ser mais um elemento que compõe o cenário dos meus dias de dezembro. E mesmo com toda a ajuda que tenho recebido, nada parece mudar. Essa chuva que cai lá fora também cai aqui dentro.

Esse vazio tem me consumido muito, um vazio que não tem sentido. Só sabe do que estou falando quem sente a mesma coisa/sensação. E não adianta tentar explicar, pois nenhuma palavra que conheço é tão fidedigna quando essa dor.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Das minhas saudades

Então, de repente, sem pretender,

respirou fundo e pensou que era bom viver.

Mesmo que as partidas doessem, e

que a cada dia fosse necessário adotar uma

nova maneira de agir e de pensar, descobrindo-a

inútil no dia seguinte — mesmo assim era

bom viver. Não era fácil, nem agradável. Mas ainda

assim era bom.Tinha quase certeza.

(Limite Branco – Caio Fernando Abreu)


Ontem, lembrei MUITO DE VOCÊ e deu uma baita saudade. Uma saudade que chegou a dor no coração. Aos pouquinhos a ficha vai caindo. Niede Guidon estava falando sobre pinturas rupestres e a serra da Capivara, e foi IMPOSSÍVEL não lembrar, não doer, não sangrar.


A mim parecia que tinha sido ontem que aquela menina magra e desengonçada entrava na sala de aula da universidade pensando que já era gente. E você, como mestre e coordenador do curso foi dar as boas vindas aos "bichos" falando que era hora de abandonar as ilusões, que a época de faculdade é a melhor e a pior das nossas vidas, e que o mundo era muito injusto e ninguém naquela sala iria ter vida mole.


Dito e feito. Foram momentos únicos, intensos, de muitas aventuras e muitas caras quebradas. Mais que valeram muitíssimo a pena. Hoje sei que se for realmente fazer outra graduação nada será como antes. Naquele tempo tudo era visto com outros olhos. Olhos que viam os acontecimentos pela PRIMEIRA VEZ, e como toda primeira vez é única, inenarrável... É mágica.


Mágica, essa é a palavra certa. Porque tudo tinha o brilho do novo. O novo que move a juventude (e olha eu aqui falando com a cabeça de uma velha careta que você tanto criticava) sedenta de mudanças.


Já faz pouco mais de um mês e ainda sinto sua presença... Seja nas pinturas rupestres, nas músicas do Pink Floyd, nas de Zeca Baleiro, Cazuza cantando Down em mim. Nas roupas pretas, nos braceletes de couros cheio de taxinhas, na sua moto parada na garagem da casa de Samara. Tudo isso martela essa falta...


“− Não quero lembrar. Faz mal lembrar das coisas que se foram e não voltam. (...)Não sinto raiva, não sinto nada. Sinto saudade, de vez em quando. Quando penso que podia ter sido diferente.”(Onde andará Dulce Veiga – Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sabores, saudades e afins...

Sabe aqueles dias em que você acorda com instinto de serial killer? E tudo o que você mais quer é a oportunidade de concretizar? Pois bem, hoje acordei assim, e a minha lista anda até grandinha – inclui: alunos, colegas de trabalho, primos, amigos e a humanidade de uma forma geral e algumas espécies em especifico (tipo: políticos e médicos).

Mas sabe o que pode me fazer mudar completamente de opinião? Um telefonema no meio da manhã – na exata hora que você tá planejando as maiores atrocidades que um ser humano pode cometer contra o outro – de uma pessoa mais que especial, que tem o dom de te fazer sorrir com o vento, de rir das próprias bobagens... fazendo uma proposta (in)decente (leia-se: viajar no final de semana do dia 30 para o CEARÁ!!!).

Falta saber se poderei concretizar, pois anda faltando reai$$.

Até lá ficarei com esse gostinho de coisa boa na boca e borboletas no estomago. Quero muito encontra os meninos, comer a torta de morango mais gostosa do mundo inteirinho no café da praça Padre Cícero, comprar uma sandália de couro porque a minha tá pedindo arrego, conversar muita bobagem, bater muita perna, entre outras coisas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Um pouco mais triste e cansada...


E foi assim, fechou os olhos e se foi. Aos que ficaram, restou o gosto amargo da saudade. Aquela sensação de tristeza que ele conseguia afasta tão bem

E essa fraqueza, esse nó na garganta que toma conta do nosso ser, nada mais é do que a mistura de incredulidade e realidade nua e crua, além da certeza de como a vida é breve!

Como uma pessoa que é tão boa, tão gentil pode parte e deixar tantos órfãos? Onde está Deus agora? Fé... Sempre fica a dúvida: o que a gente vai encontrar depois daqui?

Você não acreditava em Deus, mais foi capaz de “inventar” um céu de cachorros para tentar consolar Samara que chorava abraça a Dudu. E agora Samara terá que inventar um céu de estrelas do rock para o pai de Maya. o pai Deus/herói.

A tua partida foi um choque e pegou todos de surpresa. Quando uma pessoa está doente, meio que já se espera o pior, mas quando uma pessoa está gozando de plena saúde, fica sempre a dúvida: existe justiça?

Entenda não é revolta, são apenas constatações sobre a finitude de tudo que acreditamos (ou não)... Talvez a certeza de um algo mais incompreensível agora que estamos com tanta dor, cansados das batalhas diárias...

As palavras acabam e não sei mais o que escrever. Meu peito só sangra...

Quando Luana ligou para contar, juro que não acreditei. Fiquei esperando ela falar algo como “é brincadeira!” e então eu diria meia dúzia de palavrões (alguns dos quais aprendi com você nas aulas imemoráveis de história na UFCG), ameaçaria ela de morte (metáfora!) e então voltaria tudo ao normal.

Só que isso não aconteceu. Muito pelo contrário, restou a mim mandar e-mail para os meus colegas de turma com quem ainda mantenho algum contato. E a pior de todas as tarefas, falar para minha irmã - que te venera como a um Deus do Rock - o teu falecimento.

Desculpe a fraqueza, mas a morte é um dos meus fantasmas...


E recorrendo a Legião Urbana, canto:


É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais

(...)

Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez...


É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais!
E cedo demais...


(...) eu sei
Que você está bem agora
Só que neste mundo
O verão acabou.


Cedo demais!


(Os bons morrem jovens – Legião Urbana)


Viviane acabou de ligar e confirma o que ainda não parece ser real. A crueldade dos dias parecem não ter fim. Gostaria muito de acretidar que tudo não passa de um pesadelo, mas não é... INFELIZMENTE!