Tem um ditado popular que diz: “Para bom entendedor meia palavra basta”. Então acho que a imagem ao lado diz mais do que muitas palavras...
Que 2010 seja incrivelmente maravilhoso! Que possamos conquistar tudo aqui que almejamos, regado a muita paz, saúde, felicidade, sucesso e uma dose extra de bom humor e inteligência, afim 2010 será ano de eleição – que novamente será ofuscado pela Copa... Enfim, que tudo de bom possa ser reservado para esse ano e os outros que virão!
Estou puta de raiva. Detesto injustiças, mais ainda quando elas acontecem comigo. Ser responsabilizada pelo que não fiz me deixa fora dos eixos. Tinha dito que talvez não entrasse mais no blog esse ano, mas não deu pra segurar. Estou furiosa com a minha irmã. E pra não partir a cara dela nesse exato momento só me resta escrever e sumir do campo de visão, porque tenho certeza que quando a gente se cruzar novamente vamos começar uma confusão. Detesto quando ela está de TPM. Até a respeito muito mais pra evitar brigas, mas tem hora que não dá, porra. Sou humana e minha paciência tem limite! Comigo as coisas sempre fora no “bateu levou” e a pouco tempo comecei a questionar essa minha atitude, estou tentando ser mais tolerante com as pessoas, mas nem sempre é uma tarefa fácil. Ser acusada de um “crime” que não cometi está entre as coisas que ainda não consegui “relevar” ou “abstrair”. E não vai ser por uma TPM filha da puta que isso vai mudar.
Você deve ta notando a quantidade de palavrão que estou escrevendo, e vá por mim, esse é o primeiro sinal de que estou completamente descontrolada. E pra piorar a situação meu irmão acabou de parecer para azucrinar meio juízo. Acho que estão todos de complô contra mim, não pode ter outra explicação. Minha Nossa Senhora das pessoas desesperadas, sera que é tão difícil ficar em paz?
Acho que vou dar um tempo. Vou sair de casa e voltar para o “quartel general” na casa da minha avó. Só voltarei pra casa para dormir... Ver se volto ao normal da minha paz. Fazer uma técnica de relaxamento porque qualquer pessoa que encostar em mim agora será eletrocutado. Ai, que falta faz minha terapia...
M.P.
Ps: Esse não será o último post do ano porque definitivamente não queto que ele termine assim... Comigo completamente descontrolada!
Passado o Natal, a vida meio que tá voltando ao seu ritmo habitual. O melhor de tudo foi que não surtei e ganhei exatamente o que queria do “velho do saco” – popularmente conhecido como Noel. Os dias 24 e 25 transcorrem na maior paz. E como nenhum acontecimento interessante ocorreu esses dias não tinha muito sentido aparecer para falar bobagens.
No entanto, resolvi aparecer hoje porque talvez essa seja a última vez que entro no meu Mundo esse ano. Então, estou passando para desejar que 2010 seja um ano de muita abundancia, muita luz e força para superar todos os obstáculos que surgirem no caminho. Que a esperança se faça presente em cada minuto de 2010 como sinônimo de felicidade e compaixão. Que o amor aparece para aqueles que ainda não estão apaixonados (\o/) e que a compreensão rege a vida dos casais.
São oito e meia da manhã de um domingo nublado. Já faz um bom tempo que estou acorda, e como a vontade de me levantar da cama não aparece, vou ficando por aqui com o notebook no colo escrevendo minhas maluquices. Quando acordei pela primeira vez os pássaros estavam fazendo festa na minha janela, mas não dei muita bola pra eles, porque definitivamente hoje não serei companhia para seres inteligentes... Então voltei a dormir. Certamente você deve tá pensando “isso não é uma desculpa para fugir da realidade”, e não tiro sua razão. É justamente assim que penso também. Fuga, fuga, fuga. Não quero fazer o tal do balanço de final de ano, principalmente se levar em consideração que não cumpri nem 1/5 das coisas que havia pensado para 2009.
Os pássaros voltaram a cantarolar lá fora. Pelas frestas da minha janela posso perceber que o dia tá esquisito. Faz um frio gostoso e venta muito, o barulho das árvores balançando ao sabor do vento é belíssimo. Mais motivos para ficar na minha cama quentinha e confortável contemplando a vida que insiste em pulsar além das paredes do meu quarto, alheia a minha falta de ânimo. Meu gato Tom Zé já veio aqui no meu quarto duas vezes pedir para colocar a comida dele, mas como ele deu sossego, isso significa que alguém colocou.
Ao fundo escuto barulho na cozinha. Mainha deve tá preparando o café, penso. O rádio também tá ligado e é extremamente possível identificar a voz do Rei cantando Fera Ferida. Até parece que ele adivinhou o meu estado de espírito.
Nossa, acabei de lembrar... Hoje vai ter um jantar de Natal aqui em casa das amigas da minha mãe. Como gostaria de sumir, mas infelizmente isso não será possível, pois minha irmã tá em João Pessoa e meu irmão viaja de seis da noite pra Patos. Ou seja, me ferrei! Terei que fingir ser simpática, sociável e ainda colocar um lindo sorriso Colgate pra fora... Como gostaria de dormir novamente e só acordar amanhã...
Pausa.
Voltei, estava lendo Caio Fernando Abreu. Estou apaixonada por ele, depois que terminei de ler a coletânea de correspondência, e de conhecer um Caio muito mais humano do que as obras tentam passar, fiquei a imaginar como a vida é breve e louca. Pessoas como ele, Cazuza, Renato Russo – sensíveis e inteligentes – que ainda tinham tanto pra falar, pra mostrar, pra viver, não estão mais aqui. Felizmente deixaram uma obra densa e maravilhosa que nos faz pensar e repensar a nossa postura diante da vida...
Mas nada disso importa muito. Em dias assim não consigo ver “a leveza das coisas com humor”... Hoje seria um maravilhoso dia para ir à praia ver as ondas beijando a areia branquinha. Fazer as pazes com o universo, conversar muito com iemanjá, além de me perder dentro de mim mesma. Quem sabe morrer afogada nas minhas lamúrias e finalmente ressurgir das cinzas com uma Fênix. Mas não, estou aqui lembrando de uma música de Mariza Monte que a muito tempo não escuto “silêncio por favor enquanto esqueço um pouco a dor do peito, não diga nada sobre meus defeitos, eu não me lembro mais quem me deixou assim, hoje eu quero apenas uma pausa de mil compassos para ver as meninas e nada mais nos braços, só esse amor assim descontraído, quem sabe de tudo não fale, quem não sabe nada se cale, se for preciso eu repito”...
Agora estou começando a ficar com fome. Terei que começar a enfrentar a vida lá fora e ajudar minha mãe com o dito jantar. Mas assim que der, volto pra continuar com minhas lamúrias... =(
"Não tem sol, nem solução
não tem tempero no meu dia
acho que me perdi numa excursão
que fiz pra lua
no meu universo o sol é solidão
acho que me perdi numa excursão
que fiz pra lua
no meu único verso o sol é solidão"
Queria um par de asas para poder ir para bem longo, para algum lugar que não me remeta a tempo, que me faça esquecer que estamos em dezembro, que me faça esquecer que não consigo responder minhas dúvidas, que os meus questionamentos só aumentam com o passar dos dias e que estou me sentindo a pior das pessoas. Queria tanto um colo... Uma pessoa pra conversar olho no olho sobre as coisas que me afligem nesse momento, sem ser necessariamente uma psicóloga... Estou precisando de calor HUMANO. No entanto, tenho que me manter “forte”, pelo menos por fora para não dar nas vistas, pois tudo o que menos quero nesse momento são cobranças e perguntas. De cobranças já bastam as minha, e perguntas sem respostas já tenho muitas que pelo visto levarei para 2010...
Hum... 2010, que ele possa vim coroado de esperança!
Principalmente quando a consulta está marcada para as três da tarde e só entro no de 4 e 30. Piora quando colocam “prioridades” na minha frente. Quando a minha paciência (que é bem pouco) já tem sido rasgada e o calor é simplesmente dos infernos.
Pronto, falei!
M.P.
sábado, 5 de dezembro de 2009
Estou desanimada, chateada, irritada, e não, não estou na TPM. Nem sei explicar essa sensação conflitante que se instalou aqui no meu peito. Vai ver é essa época do ano que sempre vem me atormentar. Ou quem sabe seja apenas constatação da grande injustiça que faz parte do nosso itinerário no planeta Terra. Ou quem sabe seja porque definitivamente ODEIO O NATAL e suas “conseqüências”! (Ou pior, perdi completamente a sanidade e só me resta agora camisa de força e eletrochoque para acalmar meus dias?)
Não tenho paciência para tanta frescura mercadológica que esse período traz a tona. Não suporto papai Noel, presentes, árvore de natal, parentes e suas verdades absolutas, essa necessidade de querer parecer uma família de comercial de margarina, sem nem sequer se conhecerem o suficientemente bem, sem parecerem artificiais (Durante muito tempo fiquei me perguntando se eu não era adotada, porque não existe uma explicação lógica para não me enquadrar nos padrões familiares, mas a minha semelhança física com o meu pai é tão grande que nunca passou de uma idéia louca... QUERO MINHA NAVE MÃE DE VOLTA!).
Enfim, esse clima de FELICIDADE SÚBITA que toma conta da população mundial, a mim parecer ser de uma hipocrisia sem precedentes que se repete religiosamente todos os anos em nome de um sentimento de compaixão. Pura balela! Nós temos o ano todo para ajudar uns aos outros, mas parece que só no mês de dezembro “o espírito do Natal” consegue “tocar” os corações de pedra, gelo ou sei lá de que material duro e insensível é composto o meu, o seu, o nosso coração, e ai, boom, como um passe de mágica “todos” passam ajudar os mais necessitados.
Assim como sei que toda regra tem exceção, nesse caso acho poucos, bem poucos, casos onde a exceção vira regra. Felizmente existem pessoas que ajudam os outros de bom grado, pela simples vontade de ajudar, de ver a alegria estampada no rosto do seu semelhante. Mas também sei que a imensa maioria da sociedade está pouco se lixando para a quantidade de pessoas que estão passando fome, que não tem onde morar, que estão vivendo (?) em péssimas condições de vida, etc, etc, etc.
Sinceramente, às vezes bate uma desesperança, um descrença na humanidade. Será que algum dia a gente vai ter condições de olhar menos pra dentro e ver o nosso entorno? Ver que existe vida além das paredes confortáveis da nossa sala de estar?
Gostaria muito de ter essas respostas, mas infelizmente não as tenho. E nem sei se viverei o suficiente para vê-las respondidas. Às vezes fico me pergunto se não seria muito melhor seu fosse uma alienada que não tem a mínima consciência dos meus atos, da situação degradante que o mundo atravessa, e da falta de humanidade da humanidade? Seria tão mais fácil pegar dinheiro, ir para uma festa de forró de plástico, beber a noite toda e me “divertir” sem a menor preocupação com a quantidade de garotos, senhores, mulheres que passam a festa catando as latas de cerveja vazias que consumimos em nome dessa tal “Felicidade”... E novamente me pergunto: Felicidade de que? Somos hipócritas, e pior do que isso, nós estamos tão acostumados em ver a desgraça alheia, que o sofrimento nada mais significa. Essa situação passou a fazer parte do que se convencionou chamar de “NORMAL”. E outras vezes me pergunto: o que é normal?
Normal é entrar num shopping comprar um monte de presentes para pessoas que não fazem (na maioria das vezes) a menor diferença nas nossas vidas. Normal é gastar todo o nosso suado dinheirinho com quinquilharias e mesquinharias sem necessidade alguma, pois essas coisas/objetos em nada ajudam a mudar a vida das pessoas que estão nas ruas, morando debaixo do viaduto, passando fome e sem ter para onde ir no tão PROPALADO NATAL!
É... Acho que estou precisando de “algum remédio que me dê alegria”, porque mais uma vez essa época do ano vem bater a minha porta, e mais do que nunca, enxergo a disparidade entre ricos e pobres.Não vou dizer aqui que não vou a shopping, festas e etc, mas tenho que confessar que evito, pois sei que tão logo deixe esses lugares me pegarei pensando nas pessoas que não tem condições de fazer o mesmo que eu. Sei também que “Toda essa droga/já vem malhada/Antes de eu nascer...”, mas não posso me isentar da minha parcela de culpa diária na perpetuação dessa situação... E aqui também coloco minha cara a tapa.
Nunca acreditei, nem por um segundo, no socialismo, mas acho – preciso acreditar - que a EDUCAÇÃO ainda pode mudar o rumo desse planeta. Quando nós deixarmos de sermos egoístas, mesquinhos, poderemos ver a grandeza e a beleza que se esconde atrás de cada coração HUMANO. Então poderemos viver plenamente a felicidade e o amor, tal qual o grande mestre falou há mais de 2000 anos atrás e que ainda estamos longe de perceber as sutilezas das suas palavras “AMAR AO PRÓXIMO COM A SI MESMO”. Quem sabe outros São’s Francisco’s, Madre’s Tereza’s de Calcutá, ou tantos outros homens e mulheres possam nos ensinar a sermos seres humanos melhores.
Bom, esse foi um post desabafo de uma pessoa que estava precisando jogar todas as suas frustrações pra fora, no intuito de não morrer “envenenada” com seus próprios pensamentos e constatações da ridícula condição humana... E que agora está um pouco melhor... Pelo menos vai conseguir se olhar amanhã no espelho e tentar ser um pouquinho melhor a cada dia que passa.
Estava eu pensando sobre o que escrever hoje aqui no blog, mas não tinha idéia pois esses dias tem se revelado cinzentos e melancólicos demais, diria até insuportáveis. A solidão bateu a porta e simplesmente deixa a entrar, sem fazer nenhum esforço. Não é culpa de Ka ou de quem quer que seja, apenas estou triste por dentro, sentindo uma dorzinha no estômago, parecido com as vezes em que me metia em encrenca e sabia que mais cedo ou mais tarde a bomba iria explodir para o meu lado e que teria que arcar cim as conseqüências dos meus atos. Mais não quero pensar nisso agora, ou melhor, não quero escrever sobre isso nesse momento.
Nas minhas andanças pela net achei esse texto de Arnaldo Jabor (é... eu sei, ele é um machista inveterado, mas fazer o que se ele tem algumas sacadas geniais?!) que é muito legal, e me fez pensar sobre as vezes que a gente se acha a última coca-cola do deserto, e acabamos por passar por idiotas. Vale a pena ler...
PESSOAS INTELIGENTES (ARNALDO JABOR)
Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia.Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas.
Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 REIS e outra menor, de 2.000 REIS.
Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.
Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.
"Eu sei" - respondeu o tolo assim: "Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda."
Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa.
A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é. A segunda: Quais eram os verdadeiros idiotas da história? A terceira: Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.
Mas a conclusão mais interessante é:
A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.
Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos.
"O maior prazer de uma pessoa inteligente é bancar o idiota, diante de um idiota que banca o inteligente"
Ela veio hoje como havia falado na terça. Confesso que já esperava (pressentia mesmo) que tudo tinha acabado. Mesmo antes dos sentimentos ficarem confusos ou sei-lá-o-quê. Não sei se foi esse pressentimento ou a minha razão fazendo a lição de casa, mais em nenhum momento fiquei com raiva ou coisa do gênero. Talvez tenha sido melhor assim...
Não era o nosso momento. Ela acaba de sair de um relacionamento de 5 anos extremamente desgastante com uma garota que só causou problemas e eu ainda continuo envolta em muitas dúvidas e hesitações quanto ao meu futuro. Conforme nós íamos colocando os pingos nos i’s - durante as quase 5 horas de papo -, tudo parecia ficar mais claro. Não estamos prontas pra qualquer tipo de relação que envolvesse algo além de amizade. Não resta dúvida, foram bons os dias que passei ao lado dela, todas as vezes que saímos notava que rolava uma química, que nós combinávamos em muitas coisas, mas tirando isso, nós pertencíamos a mundos diferentes, estamos vivendo momentos diferentes. Ela tinha uma bagagem emocional que eu ainda não tenho, e quem eu tenha uma imaturidade que ela não suportaria conviver. E eu não poderia cobrar coisas dela que nem consigo ainda cobrar de mim, e infelizmente nenhuma relação suportaria esse tipo de provação (foram mais ou menos essas as palavras dela quando se referiu ao nosso relacionamento até aquele instante)... Foi meio que um fim anunciado, mas um fim sem traumas para nenhum dos lados. Ficou só aquela sensação de que faltava algo (O que, não sei dizer... Apenas sentir)
Triste fiquei, não nego, mais pelo menos ganhei uma amiga que poderá dividir um pouco das experiências dela, enquanto vou aprendendo com meus próprios erros e acertos. Ka continua sendo uma pessoa muito importante na minha vida, ela me mostrou coisas que até bem pouco tempo eu não acreditava que pudesse existir. Ela me devolveu uma paz que não sentia, e nem sabia ser capaz de sentir...
Nós almoçamos juntas hoje e quando tudo acabou de fato, saí com uma sensação de tranqüilidade, reafirmando, como nunca, que ainda acredito ser possível ser feliz, mesmo quando a vida prega peças na gente. Hoje também senti como se fosse uma expansão dos meus sentimentos, e enquanto almoçávamos lembrei de todas as pessoas que amo e fiz uma prece de coração para todos, e um alívio tomou de conta do meu ser. A despedida foi tão tranqüila que pareceu mais uma promessa de que em breve a gente voltaria a se ver de novo, e quem sabe dessa vez estejamos prontas uma para a outra...
Por enquanto vou vivendo o (e no) meu mundinho, matando um leão por dia e rezando para que a minha mãe abra a cabeçinha e coração dela... “Para quando o arco-íris [finalmente] encontrar o pote de ouro” ela possa me aceita.
Sempre que algo de ruim acontece é que damos o devido valor as pequenas coisas da vida. É sim em tudo na vida. Se estamos num enterro, buscamos lembrar os melhores momentos vividos ao lado daquele pessoa que povoou a nossa vida. Se estamos num hospital, tentamos lembrar dos momentos em que vivemos a vida com toda a intensidade que ela é capaz de oferecer e a gente de sentir. O nascimento do primeiro filho da sua melhor amiga. O final de semana perfeito ao lado da pessoa amada. O melhor show da sua vida...
Hoje quando acordei passei muito tempo na cama sem vontade de encarar o mundo lá fora. Acordei meio cabreira e lembrei dos momentos “negros” vividos alguns anos atrás, mais precisamente em 2005 quando a minha vida deu aquele “boom”. Muitas coisas aconteceram para que eu perdesse completamente o rumo (faltou, literalmente, chão debaixo dos pés).
2005 ano foi sem sombra de dúvidas o pior ano da minha vida. Foi quando descobri que gostava de mulher (na época foi uma descoberta comparável a um bomba atônica no meu emocional), foi ano que meu pai faleceu e o ano que passei 3 meses presa a uma cama e mais 4 fazendo fisioterapia por ter fraturado a rótula e rompido um dos ligamentos do joelho. Ou seja, o período mais trash da minha vida. Mas como nada é em vão nessa vida, tentei, depois de muito choro e desespero, precisei procurar algum lado bom nessa história toda para não pirar.
Quando se passa 7 meses sem poder andar com as próprias pernas e dependendo das pessoas para tudo -por tudo entenda tudo mesmo, desde tomar banho e vestir a roupa até sair de casa para ir na clinica acompanhar a sua recuperação a passo de tartaruga (metafórica e literalmente falando) – o tempo é o seu único aliado ou inimigo, dependendo de seu humor. Lembro que foi nessa época que aboli de vez o uso do relógio. Teve u momento – logo no início - em que olhava para o relógio quinhentas vezes para me certificar que o tempo estava passando. Já notaram que quando estamos refém do tempo tudo parece parar, e a vida da gente fica em suspense? De lá pra cá nunca mais usei relógio e a minha relação com o tempo é sempre muito delicada. Uma relação de amor e ódio.
Porque estou escrevendo isso? Bom, vamos aos fatos...
Faz exatamente uma semana que não tenho nenhuma noticia de Ka. Ela simplesmente desapareceu do mapa. Não entrou mais no MSN, não respondeu as minhas mensagens e nem se deu ao trabalho de entrar em contato comigo. Após passar uma semana inteira (de 6 à 13 de novembro) contando os dias para o show de Paralamas e a vinda dela aqui pra casa, no sábado, dia 14 ela avisa que não poderia vim porque estava com muito trabalho pendente. Tinha que enviar o segundo capítulo da tese para a orientadora e estava no final de período com as 4 turmas da universidade, precisando corrigir provas e trabalhos, lançar notas nas cadernetas e tudo mais.
Confesso que fiquei chateada, pois havia criado muito expectativa – e aqui o erro foi todo meu, achei que já tivesse aprendido a lição “não criar expectativas, principalmente quando essa envolver terceiros”, mas mesmo assim fui para o show e adorei. Durante a semana passada tentei todas as formas possíveis e imaginais de falar com ela. Mas ela não quis se encontrada, resolvi deixar quieto. De lá pra cá tenho ficado triste. Odeio silêncios, ainda mais em situações como essa. Prefiro mil vezes resolver as coisas logo de uma vez, nem que isso implique choro e deprê, do que ter que ficar nesse suspense que só acaba comigo, uma pessoa extremamente ansiosa, dona de uma mente fantasiosa – já imaginei mil e uma situações diferentes para essa história.
Agora estou no momento “meio bossa nova e rock’n roll”. Só que sem querer me entregar ao fundo do poço. Saí no sábado a noite comigo mesma e acabei encontrando meus amigos e fiquei até a hora que deu. No domingo fui para o batizado do filho da minha amiga Eliana no sítio da família dela e foi muito bom... Acabei mudando a sintonia, mas agora estou naquela fase de carência, louca por um ombro amigo. E o trágico é não poder contar com a minha mãe e nem com Vivi que deve tá chegando semana que vem...
Enquanto isso estou fazendo companhia a Cazuza ou seria o contrário? Não sei bem, mas a trilha sonora é “o mundo é um moinho, vai destruir teus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões a pó”...
Eu estou pensando em você.
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só
Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
E com você me sinto bem
Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer
Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer.
Pensando em você.
Pensando em você.
Pensando em você.
Pensando em você.
É... O amor deixa a pessoa muito piegas, previsível, boba, aluada. Estava aqui lendo e escutando algumas músicas, ansiosa para receber logo o e-mail da menina que tem o mar no olhar, e então começou a tocar essa música, ai sabe aquela vontade incontrolável de falar com o ser amado? Pois bem, não dá pra ligar agora porque ela vai dá aula até 11 da noite. E para não perder a oportunidade acabei mandando uma mensagem para o celular “Estou pensando em você”.
Ai fica a dúvida, será que ela já leu?
Será que gostou?
(Vai ser ansiosa assim na China!)
Amanhã vai ter Paralamas do Sucesso (“cuide bem do seu amor, seja quem for” – foi inevitável!l) e eu quero muito acreditar que ela virá pra cá e passará o final de semana comigo.
Hoje definitivamente não gostei nadinha da terapia. Estou até agora com meu quengão fervendo com todas as “atrocidades” que você falou de/sobre/para mim. Está certo que concordo com algumas coisas, mas acho e sei que existem formas e “formas’ de se falar o que queremos sem passar por cima dos sentimentos das pessoas, sem machucá-las. Não sei se estou fazendo tempestade em copo d’água – coisa que adooooro fazer -, mas achei sua atitude de uma grosseria sem tamanho.
Na verdade estou me fazendo inúmeros questionamentos a respeito das técnicas que você anda utilizando no meu caso. Não quero com isso duvidar da sua competência profissional, longe de mim tal pretensão. Mas essas suas atitudes de “super sincera” nem sempre ajudam. E se ajudam, dói demais para ser percebida pela minha “burrice” mestre.
É tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, da quedas, dos medos, dos choros. Nada é errado, quando o erro faz parte de uma procura ou de um processo de conhecimento, mas às vezes você me faz me sentir a pior das criaturas, e não sei se isso é “certo”. É mais ou menos assim que estou me sentindo hoje depois que sai do consultório. Confusa é pouco pra conceituar os grilos que passaram a povoar aqui dentro.
Sei também que não terei coragem de falar isso pessoalmente, pois estou utilizando desse artifício – a palavra escrita – para evitar falar coisas que não se deve dizer e acabar por cometer o mesmo erro que você.
Por enquanto é só. Caso tenha esquecido alguma coisa, torno a escrever em breve.
Estou tão, tão, tão feliz que andar nas nuvens é pouco pra descrever o meu momento. A viagem para o braço do meu azul profundo foi simplesmente inenarrável! Adorei tudo! A cidade dela é linda, as pessoas que conheci são encantadoras, só a prova que foi terrível - nem tudo são flores. Fiquei completamente louca de “tesão”. Estou de quatro por ela, e olha que nem chegamos nos finalmente (ocasiões, espero, não faltaram para isso)... Foi tudo tão LINDO. Estou com cara de boba e suspirando pelos cantos. Fazia tempo que não me sentia tão bem... Às vezes fico até meio paranóica achando que não sou merecedora de tanta felicidade, mas depois penso sobre tudo que anda acontecendo ao meu redor e aqui dentro. Coisas e sensações que não tem nome, só sentindo pra saber, ai todos os pensamentos passam a divagar buscando o olhar e a segurança de “K” sem parada nem contratempo.
Ando boba e adorando cada vez mais as coisas simples da vida. Já assisti o filme “O fabuloso destino de Amélie Polan” 4 vezes esse final de semana só porque me sinto em paz novamente, por tudo que aconteceu no final de semana passado...
Até as coisas que poderiam me irritar em tempos passados, hoje me fazem abrir um sorriso de orelha a orelha. Passei a olhar tudo com tanta suavidade, chegando perto da “insustentável leveza do ser”. Talvez o grande fascínio da vida seja justamente esse: descobrir as coisas simples da vida e se sentir amada e amando. Acabei de lembrar de um poema de Fernando Pessoa: Todas as cartas de amor são ridículas e não seriam de amor se não fossem ridículas. Estou me sentindo ridícula, mas é tão bom!
Já estou começando a ser repetitiva. Em outro momento conto com mais detalhes sobre tudo. O meu lado razão mandou silenciar um pouco... Coisa que é difícil de ser atendido. Acabei de receber um e-mail dela. Talvez ela venha pra cá próximo final de semana para o show de Paralamas e Fagner... Tudo vai depender do trabalho dela e logicamente que estou com esperanças que tudo aconteça. Adriana Calcanhotto falará por mim:
Se tudo pode acontecer
(Composição: Arnaldo Antunes / Paulo Tatit / Alice Ruiz / João Bandeira)
Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer
Qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando
De mão dada
de qualquer maneira
Eu quero que esse momento
Dure a vida inteira
E além da vida
Ainda de manhã
No outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer
“Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento
Lágrimas negras caem, saem, doem”
(Lágrimas negras - Otto)
Estou aqui tentando montar um texto sobre as 5 coisas que não gosto em mim e as 20 que gosto. Pra ser sincera as 5 coisas já vão em quase 10.. E as boas estão me dando trabalho. Mas irei fazer. Quero ir para a terapia com o dever de casa cumprido.
...............
Definitivamente não gosto do dia de hoje... Por isso faço de conta que é apenas mais um dia, mas mesmo assim a saudade não me deixa esquecer.
Já gostei de Igreja. Hoje em dia só entro nelas para conhecer e admirar a beleza arquitetônica ou quando alguma amiga se casa. Em cemitérios nunca fui chegada. A morte sempre me assusta. Não a morte em si, mas os seus desdobramentos. A ausência, a saudade, a espera em reencontrar o outro, a angústia de saber quando isso vai acontecer, e as todas as coisas que acabam desestabilizando as pessoas fracas como eu. Apesar de acreditar na imortalidade da alma, na reencarnação, às vezes isso não é suficiente para acalmar o coração. Ele parece ser um pouco “burro” e exige de todas as formas a presença, o abraço, o carinho palpável que não está mais presente. Presente, vai ver que é isso. O coração é presente e a saudade é passado querendo ser presente. Vai ver é por isso que insisto tanto em viver no futuro que não existe... Futuro que começa com a mesma letra “F” de Fuga.
Para aqueles que vão a Igreja ou ao culto, rezem para os mortos e, principalmente, para os que estão vivos e se encontram mortos, pois esses precisam muito mais de ajuda.
Enquanto isso ficarei aqui no meu mundinho lendo Caio Fernando Abreu, ouvindo minhas músicas e sentindo saudades.
Bom, muito do que vou falar hoje não é nenhuma novidade pra quem me conhece, e olhe que nem precisar ser meu amigo/a de infância... Vamos aos fatos.
Sempre que Manuel Carlos começa uma novela não consigo deixar de assisti-lá. Ele consegue unir duas paixões confessas da minha alma. Tudo acaba se passando no Rio de Janeiro (a cidade Maravilhosa, podem os assaltantes e a Globo venderem a imagem que quiserem, em breve vou nessa terra linda) e a trilha sonora é simplesmente sensacional e me remete a um tempo não vivido, mas que faz uma falta danada, já que adoro Bossa Nova (a década de 50 e 60 foram realmente As Décadas).
Certo, mas não é sobre isso que vim aqui... Quem acompanha a novela já deve ter visto a personagem Renata, interpretada por Bárbara Paes. Em Viver a Vida ela interpreta uma alcoólatra. Eis o ponto: ela é alcoólatra! Em circunstâncias normais isso não quer dizer nada, mas esse assunto mexe comigo de formas assombrosas. E mexe num sentido muito negativo.
Meu pai foi durante quase toda a vida dele um alcoólatra inveterado, daqueles que não aceitam a doença e que acaba prejudicando e infernizando a vida de todos dentro de casa [talvez um dia eu fale sobre isso aqui...]. Até hoje tenho uma imensa dificuldade em encarar esse tipo de coisa de frente. Na verdade, nem gosto de falar sobre esse assunto, mas desde ontem venho pensando nisso...
Ontem teve uma cena em especial na novela que me fez reviver algumas situações desagradáveis que vivenciei. A dita personagem se machucou após uma bebedeira e quando chegou na casa de uma amiga e teve os devidos cuidados médicos, dar-se prosseguimento a cena e o diálogo entre a mãe do namorado de Renata e o namorado [desculpe, mas não lembro os nomes dos personagens, nem dos artistas] me fez lembrar o quando a nossa vida foi difícil e como esse ponto ainda é frágil.
Não consigo lembrar direito o diálogo, mas foi mais ou menos assim... A mãe olha o filho cuidado da namorada e fica chorando baixinho. Quando o filho sai do quarto ela diz algo como: “Não sei se tenho mais pena de você ou dela”
Essa situação pode parecer banal, mas não é. Talvez tenha muito mais alcoólatras pelo mundo do que desconfia nossa vã filosofia. Personagens como a Renata de Manuel Carlos devem existir aos montes.
Puxando esse assunto para o cotidiano que presenciei... Minha relação com meu pai sempre foi extremamente conturbada, a gente não se dava nada bem. No fundo sempre quis colocar toda a minha raiva na pessoa que bebe – no caso meu pai. Não conseguia entender [talvez não quisesse mesmo] como uma pessoa se entrega dessa forma? Sem reagir? Porque não buscar ajudar pra sair? Porque não se deixa ser ajudado/a?
Hoje, depois de muito refletir sobre o assunto, percebo que a chave da questão está dentro de cada pessoa. Talvez elas tenham um grave problema de baixa estima. Falta de amor próprio. Não sei, não estou querendo simplificar as coisas, sei que a questão genética tem seu peso, mas seria muito sacanagem esquecer dos elementos emocionais.
Não vou me estender muito porque sei que ainda não estou pronta. Mas não posso deixar de pensar que tenho uma dívida muito grande para com essas pessoas. Ainda não sei como ajudá-las, só sei que não posso passar por essa vida de braços cruzados. Caso algum dia venha a ganhar na MegaSena ou outra solução apareça, gostaria, quem sabe, de abrir uma clínica para dependentes químicos...
Não quero divagar muito, mas tenho que fazer alguma coisa... Espero que não demore muito..