"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Sobre novelas e alcoolismo...

Bom, muito do que vou falar hoje não é nenhuma novidade pra quem me conhece, e olhe que nem precisar ser meu amigo/a de infância... Vamos aos fatos.

Sempre que Manuel Carlos começa uma novela não consigo deixar de assisti-lá. Ele consegue unir duas paixões confessas da minha alma. Tudo acaba se passando no Rio de Janeiro (a cidade Maravilhosa, podem os assaltantes e a Globo venderem a imagem que quiserem, em breve vou nessa terra linda) e a trilha sonora é simplesmente sensacional e me remete a um tempo não vivido, mas que faz uma falta danada, já que adoro Bossa Nova (a década de 50 e 60 foram realmente As Décadas).

Certo, mas não é sobre isso que vim aqui... Quem acompanha a novela já deve ter visto a personagem Renata, interpretada por Bárbara Paes. Em Viver a Vida ela interpreta uma alcoólatra. Eis o ponto: ela é alcoólatra! Em circunstâncias normais isso não quer dizer nada, mas esse assunto mexe comigo de formas assombrosas. E mexe num sentido muito negativo.

Meu pai foi durante quase toda a vida dele um alcoólatra inveterado, daqueles que não aceitam a doença e que acaba prejudicando e infernizando a vida de todos dentro de casa [talvez um dia eu fale sobre isso aqui...]. Até hoje tenho uma imensa dificuldade em encarar esse tipo de coisa de frente. Na verdade, nem gosto de falar sobre esse assunto, mas desde ontem venho pensando nisso...

Ontem teve uma cena em especial na novela que me fez reviver algumas situações desagradáveis que vivenciei. A dita personagem se machucou após uma bebedeira e quando chegou na casa de uma amiga e teve os devidos cuidados médicos, dar-se prosseguimento a cena e o diálogo entre a mãe do namorado de Renata e o namorado [desculpe, mas não lembro os nomes dos personagens, nem dos artistas] me fez lembrar o quando a nossa vida foi difícil e como esse ponto ainda é frágil.

Não consigo lembrar direito o diálogo, mas foi mais ou menos assim... A mãe olha o filho cuidado da namorada e fica chorando baixinho. Quando o filho sai do quarto ela diz algo como: “Não sei se tenho mais pena de você ou dela”

Essa situação pode parecer banal, mas não é. Talvez tenha muito mais alcoólatras pelo mundo do que desconfia nossa vã filosofia. Personagens como a Renata de Manuel Carlos devem existir aos montes.

Puxando esse assunto para o cotidiano que presenciei... Minha relação com meu pai sempre foi extremamente conturbada, a gente não se dava nada bem. No fundo sempre quis colocar toda a minha raiva na pessoa que bebe – no caso meu pai. Não conseguia entender [talvez não quisesse mesmo] como uma pessoa se entrega dessa forma? Sem reagir? Porque não buscar ajudar pra sair? Porque não se deixa ser ajudado/a?

Hoje, depois de muito refletir sobre o assunto, percebo que a chave da questão está dentro de cada pessoa. Talvez elas tenham um grave problema de baixa estima. Falta de amor próprio. Não sei, não estou querendo simplificar as coisas, sei que a questão genética tem seu peso, mas seria muito sacanagem esquecer dos elementos emocionais.

Não vou me estender muito porque sei que ainda não estou pronta. Mas não posso deixar de pensar que tenho uma dívida muito grande para com essas pessoas. Ainda não sei como ajudá-las, só sei que não posso passar por essa vida de braços cruzados. Caso algum dia venha a ganhar na MegaSena ou outra solução apareça, gostaria, quem sabe, de abrir uma clínica para dependentes químicos...

Não quero divagar muito, mas tenho que fazer alguma coisa... Espero que não demore muito..

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Eu ando tão down.


“Eu não sei o que o meu corpo abriga
Nestas noites quentes de verão
E nem me importa que mil raios partam
Qualquer sentido vago de razão
Eu ando tão down
Eu ando tão down”


(Down em mim - Frejat/Cazuza)

Hoje fui para a psicóloga porque amanhã viajo pra João Pessoa pra resolver algumas coisas na UFPB e não terei como voltar essa semana. Hoje foi choro, choro, choro... Não sei exatamente o que me movia a fazer isso compulsoriamente, mas não deu... Fiquei 45 minutos sem dar uma palavra. Ela fez perguntas e no máximo as minhas respostas vinham com um balançar ou não da cabeça.


Sei que fiz tudo errado, mas não tive como segurar a barra. Acabei saindo de lá sem que a consulta tivesse terminado, e pior completamente descontrolada. Chorei horrores durante todo o percurso de volta pra casa. E quando cheguei continuei.


Acabei de arrumar as malas e agora sinto o efeito do descontrole. Estou com muita dor de cabeça e uma sensação ruim no peito. Já rezei, mas fico pensando em tudo o que não foi dito, e em tudo que ando pensando.


Dá um trabalho danado decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: dúvida.


Espero que esses dias longe de casa, trabalhando e fazendo coisas diferentes me faça bem. Estou precisando me achar. Não agüento ficar como a música do Zeca Baleiro “as vezes me preservo, noutras suicido”.


M.P. num momento bem trash!

domingo, 18 de outubro de 2009

E foi assim, de repente...



Estava ouvindo uma música qualquer quando ela apareceu.

Transparecia tranqüilidade. E os olhos eram azuis com o céu.

Aproximou-se e sentou ao meu lado. Também estava esperando a hora de começar a prova.

Não trocamos mais do que “Bom dia” e “Boa sorte”.

Entramos, fizemos a prova e fomos embora.

No outro dia cheguei e ela já estava lá (me esperando?). Seria impressão minha ou os nossos olhares se cruzaram e um belo sorriso apontou nos lábios dela?!

Depois de uma excitação inicial, sentei ao lado dela.

Ficamos conversando amenidades.

Ela é do Ceará, mas vivia a 3 anos em Brasília. Fazia doutorado na UNB e estava voltando à cidade do “Louro” para escrever a tese. Estávamos concorrendo a mesma vaga na Universidade, mas não importava muito. Estava adorando conversar e conhecer um pouco aquela pessoa tão... Tão... Linda! Em todos os sentidos.

Infelizmente não fomos para a segunda etapa.

Ela ia voltar para o Ceará, então perguntou se não queria carona pra voltar pra C. já que era caminho dela.

Aceitei prontamente. Sempre achei que a distância entre Sousa e C. fosse maior, mas o tempo passou tão rápido que não pareceu mais que frações de segundos...

Teria sido a companhia?! Certamente.

Trocamos telefone, e-mail, MSN. A intenção era não perder contato. Ela veio a C. outras vezes e sempre nos encontrávamos, até que surgiu a oportunidade de fazer concurso no Ceará.

Estou indo pra I. dia 30, e aproveitarei o feriadão.

Até lá as borboletas vão ficar voando aqui dentro...



“(...) porque a gente nunca sabe de quem vai gostar (...)”

(O Teatro Mágico – Ana e o mar)

sábado, 17 de outubro de 2009

Se sentindo inteira


“Mas quando alguém te disser ta errado ou errada (...)
Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz”

(O teatro mágico - Zazulejo)



Ela sentiu vontade de organizar sua vida. Resolveu começar pelas coisas que estavam espalhadas pelo quarto. Foi à sala, colocou Elis e logo começou a tocar a sua música preferida “Como nossos pais”. A arrumação começou pelos seus livros e cd´s espalhados aleatoriamente, assim como muito dos seus últimos pensamentos. Não agüentava tanta bagunça, nem fora, dentro do seu íntimo. Precisava dar um rumo a sua vida, se despir dos preconceitos, dar vazão aos seus sentimentos, mostrar-se inteira e não pela metade. Sua angústia começou quando descobriu que ela nunca soube ser “normal”, pois até ali ela fazia questão de atestar sua normalidade para a sociedade e as pessoas que a conheciam. Ela parou o que estava fazendo e se pôs a refletir... Ela havia esquecido de quem ela era, e naquele momento lembrou-se que aquela era ela de verdade: alguém que dança sozinha, que cantava sozinha, que questionava e não aceitava ser subestimada. Sentiu uma paz fantasiada de felicidade naquela solidão. Dançou e cantou sozinha como uma menina cheia de vida. Seguia o ritmo da música “Redescobrir” e sorria se entregando aos prazeres da dança. Sempre gostou de Elis, desde menina pequena. A cada minuto ela encontrava a si mesma em suas mil lembranças espalhadas pelo quarto em revistas e discos. Ela já se sentia dona de si mesma, e se sentia levemente embriagada por tamanha beleza. Beleza que havia ficado escondido em alguma gaveta, e que já não podia mais ficar entregues as traças e ao tempo. A tristeza tinha ido embora de vez, e de suas melhores lembranças ela encontrou motivos pra seguir em frente. Ela anotou num papel “Tenha paciência, Deus está contigo/Deus está conosco até o pescoço”. Então colocou o cd de com a sua música favorita “Casa no campo”... E assim se sentiu inteira de novo.


M.P. extremamente apaixonada!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Música do dia



“Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só”



(O anjo mais velho – O teatro mágico)

sábado, 10 de outubro de 2009

"Sei o que sinto, mas não sei o que sou..."


Escolhas, escolhas, escolhas... É tudo o que me resta nesse momento tão conturbado, onde várias dúvidas pairam sobre essa cabeça de vento. Quando saberei a resposta, ou melhor, o momento certo para efetuar a escolha? Como saberei qual o meu lado fala mais alto?

Isso tudo é meio doidera, sabe? Tem horas que não quero pensar nisso. Entretanto, tem outras que só penso nisso. E quer saber, sempre que penso fico angustia pensando em todas as possibilidades e as suas respectivas conseqüências.

Sei que ainda não chegou a hora, mas quero que tudo se resolva – bem. Sem atropelos, sem mágoas, sem traumas, sem “meias” verdades.

Essa Ana que está aparecendo aos poucos me assusta, e ao mesmo tempo, me inebria: como pude passar tanto tempo fugindo desses tipos de questionamento? Fugindo de uma pessoa tão... Como posso definir? Tão... Dona de si?! Talvez... Quem sabe?!

Isso não é uma cobrança, até mesmo porque não estou em condições de me cobrar nada – tudo ao seu tempo. Mas não posso deixar de constatar que a insegurança em não achar uma resposta “palpável” para esses questionamentos me tira do chão.



M.P. né um momento bastante introspectivo

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A vida em si é uma bricolage de bricolagens

Quando Gagárin disse: "A terra é azul" ele simplesmente subverteu a imagem que tínhamos do céu. O céu que também é azul... O mar que também é azul... Os três ligados pela imensidão “azul”. Azul que é poesia, que é saudade, que distância, mas que não é ausência de Deus. Pois pra mim Deus está em tudo e todos, até naqueles que buscam refutá-lo.


Azul fruto do desejo, do sonho, da poética de ser Humano, e ao mesmo tempo, Deuses...


O azul é a minha cor de paz.


Azul...

Azul...


Apareça!


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“Não tenha medo de ir devagar; só tenha medo de ficar parado”.


É estranho, mas foi mais ou menos a mesma coisa que ouvi de uma amiga quando estava falando sobre o meu “famigerado” conflito, sobre a minha orientação sexual.


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A vida é complicada mesmo! E piora quando se trata do meu MUNDO!



M. P.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sessão com a psicóloga parte IV

“Falar é mágico
Calar é tático
Desfazer é árduo
Esperar é sábio”

E lá vamos nós de novo...

Ontem teve terapia.

Sempre faço terapia uma vez por semana pra conversar com uma profissional sobre os assuntos que me afligem. Já faz um bom tempo que não falo sobre isso, mas agora senti necessidade de desabafar aqui (a última vez que falei sobre a terapia foi dia 11 de agosto). Vamos ao texto.


Há algumas semanas que sinto que estou travada nas sessões. Sei que ninguém em sã consciência gosta de ficar sobre pressão, e isso não é diferente comigo. Drª M. tem feito uma marcação cerrada sobre alguns assuntos que “mexem” comigo, e quando não consigo responder as suas indagações, ela fala a palavra “CONFIANÇA” que me deixa super mal, uma vez que geralmente vem acompanhada por outras: “SEXO”, ‘SEXUALIDADE’, “HOMEM”, “MULHER”, “PERSONALIDADE”, “MEDOS” e outras que acabam se transformando em uma mistura explosiva comparável a uma bomba atômica no quengão.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo semana passada. Saí tão arrasada da sessão por não ter dito o que estava sentido, por ter faltado sinceridade da minha parte, que quase não consegui acalmar o coração. Fiquei me perguntando o “porque” de tudo isso? Porque não consigo dizer tudo de uma vez, sem rodeios? É um fato, me cobro muito e caio nesse tipo de armadilha, de nunca confiar nas pessoas. Sei que tenho inúmeros defeitos e talvez esse seja um dos maiores, mas tenho consciência que tenho que mudar isso...

Então foi com esses pensamentos que fui ontem para a sessão. A princípio achei que seria “massacrada” por tudo que aconteceu na semana anterior, principalmente porque tive que trazer “tarefa pra casa” (quando isso acontece, tipo: tomar banho de olho fechado, trabalhar com a mão esquerda, passar 15 minutos olhando para uma moeda... e por aí vai, já significa que o bicho vai pegar...). No entanto, isso não aconteceu.

Na sessão tudo correu super bem, consegui falar tudo... Especialmente o “porque” em determinados momentos não consigo abrir o coração. Expliquei que tenho certo medo/receio de falar sobre meu lado “negro” porque sei que é o meu ponto frágil, onde toda a minha força/escudo/barreira nada pode fazer para que eu não me machuque. Também falei que não gosto de me mostrar vulnerável, fraca. É como se isso fosse destruir uma parte “preciosa” de mim. Uma parte que “gosto” de se manter escondida para não “assustar” as outras pessoas, ou no caso, para não me assustar mesmo, uma vez que a única que deve se preocupar com o meu mundo sou eu mesma! (“Os outros são os outros e só”)

Então eis que a “revelação” aparece. Drª M. fala: “era justamente nesse ponto que queria que você chegasse. Você é uma colcha de retalho! Você deixa de ser você (com medo, angústias, alegrias, ilusões, etc.), deixa de ser a Ana “verdadeira”, para ser uma Ana “falsa” para agradar os outros. A Ana que é boa filha e não faz nada para contrariar a mãe, A Ana que é o exemplo para os irmãos. A Ana que é boa aluna, amiga, sobrinha, etc. e esquece de ser a Ana que tem medos, defeitos e, logicamente, qualidades. Deixa de ser você, para ser uma outra pessoa, e isso é muito negativo para a Ana verdadeira. Essa sua busca para agradar todos faz com que a verdadeira Ana fique subjugada, relegada a um segundo plano”.

E o pior foi ter que concordar com ela. Esse é o meu mal, não consigo fazer nada que possa desagradar os outros com quem tenho algum vínculo afetivo. É uma espécie de “dependência química” para conseguir o reconhecimento, os elogios dos outros como “prêmio” de consolação pelos esforços prestados para “sufocar” a Ana verdadeira.

O poder dessa conclusão me deixou sem chão. Ainda estou um pouco perdida refletindo sobre isso. No momento o que mais me angustia é descobrir como essa Ana verdadeira vai aparecer, ou talvez seja até pior, como é Ana verdadeira?

Mas não estou com presa. Pela primeira vez na vida estou me dando esse tempo pra amadurecer, para me conhecer, mesmo que pra isso tenha que recorrer a ajuda de “terceiro”.


Por hoje é só


M.P.