"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.
Mostrando postagens com marcador Caio Fernando Abreu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caio Fernando Abreu. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

“Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem” CAIO FEERNANDO ABREU

E mais uma vez ele diz tudo que estou sentindo agora. Esse misto de tristeza, abandono e saudade que tem me consumido nos últimos dias. Uma saudade que dói, que feri, que não passa.

Uma chuva fina, que insiste em continuar, mesmo quando se tenta mudar o foco das atenções, mas que volta, quando menos se espera.

Tenho tentado fugir dessa tristeza, mas é complicado. Os dias andam tão negros que parece ser mais um elemento que compõe o cenário dos meus dias de dezembro. E mesmo com toda a ajuda que tenho recebido, nada parece mudar. Essa chuva que cai lá fora também cai aqui dentro.

Esse vazio tem me consumido muito, um vazio que não tem sentido. Só sabe do que estou falando quem sente a mesma coisa/sensação. E não adianta tentar explicar, pois nenhuma palavra que conheço é tão fidedigna quando essa dor.

sábado, 13 de novembro de 2010

Ciclo Seco

Todo mundo conhece ciclo seco, a maioria até já passou por ele. Alguns mesmo vivem desde sempre dentro dele, achando que isso é vida e eternizando o que, por ser ciclo, deveria também ser transitório. É preciso acreditar que passa, embora quando dentro dele seja difícil e quase impossível acreditar não só nisso, mas em qualquer outra coisa. Não que ciclo seco não tenha fé, o que acontece é que não podendo ver o que não é visível, fica limitado ao real.

Antes de ir em frente, é importante dizer que ciclo seco nada tem a ver com as estações do ano. É coisa de dentro do humano, não de fora, e justamente por isso não tem nenhum método: vem quando não é esperado e vai quando não se suspeita. Ciclo seco não desaba de repente sobre alguém; chega aos poucos, insidioso, lento. Quando se percebe que se instalou, geralmente é tarde demais. Já está ali. É preciso atravessá-lo como a um deserto, quando se está no meio e a água acabou. Por ser limitado ao real, o ciclo seco jamais considera a possibilidade de um oásis ou de uma caravana passando. Secamente, apenas vai em frente.

Porque o real do ciclo seco são ações, não pensamentos nem imaginações. Tanto que, visto de fora, não é visível nem identificável. Não se confunde com “depressão”, quando você deixa de fazer o que devia, ou com “euforia”, quando você faz em excesso o que não devia. Em ciclo seco faz-se exatamente o que se deve ou não, desde escovar os dentes de manhã ou beber um uísque à tardinha, mas sem prazer. Nem desprazer: em ciclo seco apenas se age, sem adjetivos. A propósito, ciclo seco não admite adjetivos — seco é apenas a maneira inexata de chamá-lo para que, dando-lhe um nome, didaticamente se possa falar nele.

E deve-se falar dele? Quero supor, entusiástico, que sim. Mas não tenho certeza se dar nome aos bois terá alguma serventia para o dono dos bois ou sequer para os próprios bois — e essa é uma reflexão típica de ciclo seco. Mas vamos dizer que sim, caso contrário paro de escrever já. E falando-se dele, diga-se ainda que ciclo seco não é bom nem mau, feio ou bonito, inteligente ou burro (…) embora possa dar uma impressão errada a quem o vê de fora, ávido por adjetivar.

Ciclo seco, por exemplo, não se interessa por nada. Pior que não ter o que dizer, ciclo seco não tem o que ouvir, compreende? Fica na mais completa indiferença seja ao terremoto no Japão ou à demissão de Vera Fischer. No plano pessoal, tanto faz ler ou não ler um livro, ir ou não ao cinema — ciclo seco é incapaz de se distrair, de se evadir. Fica voltado para dentro o tempo todo, atento a quê é um mistério, pois que pode um ciclo seco observar de si mesmo além da própria secura, se não há sequer temporais, ventanias, chuvaradas? Nesse sentido, ciclo seco é forte, porque nada vindo de fora o abala, e imutável, porque de dentro nada vem que o modifique.

E nesse sentido também é antinatural, pois tudo se transforma e ele não, simulando o eterno em sua digamos, i-na-ba-la-bi-li-da-de. E sendo assim, com alívio vou quase concluindo, pode se deduzir que… Não, não se pode deduzir nada. Só que passa, por ser ciclo, e por ser da natureza dos ciclos passar. Até lá, recomenda-se fazer modestamente o que se tem a fazer com o máximo de disciplina e ordem, sem querer novidades. Chatíssimo bem sei. Mas ciclo seco é assim mesmo.

Todo mundo tem os seus, é preciso paciência. E contemplá-lo distante como se se estivesse fora dele, e fazer de conta que não está ali para que, despeitado, vá-se logo embora e nos deixe em paz? Eu, francamente não sei. Ainda mais francamente, nem sequer sinto muito.

Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifanias



domingo, 7 de novembro de 2010

Devaneios

Às vezes você me deixa confusa com suas metáforas e histórias inventadas. Será que algum dia você será capaz de falar abertamente o que quer sem recorrer a esse tipo de comportamento? Não estou revoltada com você, porque já entendi que esse é seu jeito de ser, mas bem que você poderia fazer uma força e tentar entender meu mundo da mesma forma que tento entender o seu.

Outro dia você falou que quanto mais eu bato e esperneio, mais você sabe que eu te amo, também falou que você faz determinadas coisas só pra ver minha “demonstração de amor”. E tento buscar essa sua certeza nas minhas atitudes e só consigo perceber/ver autopreservação, meio que instinto, reflexo mesmo. Não sei se conseguirei derrubar todos os meus muros pra me doar. E sei também que você tem os seus muros e como tenho medo de altura, talvez nem tente escalar. Tenho muito medo de me machucar, ou de te machucar.

Ultimamente ando sem grandes certezas ou verdades. Venho tentando viver um dia atrás do outro sem colocar expectativas, pois sempre que faço planos, alguma coisa acontece e quem se ferra sou eu (não é teoria da conspiração não, é só constatação). Se pelo menos você pudesse me salvar sempre – meio como o príncipe que salva a princesa da bruxa, da madrasta da má –, me dar o colo que preciso e que nunca peso: por medo, por egoísmo, por teimosia, vai saber. São tantas possibilidades que fica difícil escolher uma. E nem sei se você seria ou poderia se encaixar como possibilidade. Você é tão inconstante...

Você estar conseguindo entender tudo o que digo? Será que vai colocar um pouco de atenção nessas palavras que aparentemente não possuem sentido? Não sei. Talvez nunca saberei de fato. Enquanto escrevo essa “carta” fico pensando se vale a pena mandar, se você vai perder seu precioso tempo com os meus devaneios.

Apesar dessa casca de segurança que tento transparecer, sou muito insegura naquilo que não tenho como fazer comparações... E o amor é um campo de insegurança total. Ele requer que as pessoas envolvidas possam se jogar do abismo como se nunca fosse chegar ao chão. Só que esse momento de irracionalidade que o amor proporciona, também acaba e fica aquele medo do “e se” quando chegamos ao chão... E se tivesse sido diferente? E se pudesse voltar atrás? E se, e se... Como se fosse possível voltar. E a gente nunca volta, porque o tempo existe e devora! Não admite erros, e cobra com juros os que não souberam viver. “O Tempo é um orixá tão poderoso que não existe cavalo capaz de suportar o peso dele. Por isso não encarna, só ronda”. (Caio F.)

E ai lembro de Gonzaguinha “E a vida! E a vida o que é? Diga lá, meu irmão Ela é a batida De um coração Ela é uma doce ilusão E a vida Ela é Mara”vida” Ou é sofrimento? Ela é alegria Ou lamento? O que é? O que é? Meu irmão...”

Sabe quando teremos essa resposta? Sendo otimista, na velhice, quando o calor do querer viver se torna mais lúcido em contraposição ao fim. E sendo realista – ou como você preferi – pessimista, nunca, pois o que não foi não é, nem nunca será.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Caio F

já reparaste como o
mundo parece feito
de pontas e arestas?
já chamei tua atenção
para a escasses de
contornos mansos
nas coisas?

tudo é duro e fere

Caio F.

sábado, 30 de outubro de 2010

Fragmentos

O que eu queria era alguém que me recolhesse como um menino desorientado numa noite de tempestade, me colocasse numa cama quente e fofa, me desse um chá de laranjeira e me contasse uma história. Uma história longa sobre um menino só e triste que achou, uma vez, durante uma noite de tempestade, alguém que cuidasse dele.” (Limite Branco – Caio Fernando Abreu)

..............

“Eu, se fosse uma casa, queria uma piscina nos fundos. Um jardim enorme. E ar condicionado. Que tipo de casa você queria ser, Lui?”(Morangos Mofados – Caio Fernando Abreu)

..............

“E se é verdade que o tempo não volta, também deveria ser verdade que os amigos não se perdem”. (Caio F.)

................

Ele sorriu para mim. E perguntou:

−Você vai para a Liberdade?

−Não, eu vou para o Paraíso.

Ele sentou-se ao meu lado. E disse.

−Então eu vou com você.” (Onde andará Dulce Veiga – Caio Fernando Abreu)

....................

O Tempo é um orixá tão poderoso que não existe cavalo capaz de suportar o peso dele. Por isso não encarna, só ronda.”(Onde andará Dulce Veiga – Caio Fernando Abreu)

...............

− São tudo histórias, menino. A história que está sendo contada, cada um a transforma em outra, na história que quiser. Escolha, entre todas elas, aquela que seu coração mais gostar, e persiga-a até o fim do mundo. Mesmo que ninguém compreenda, como se fosse um combate. Um bom combate, o melhor de todos, o único que vale a pena. O resto é engano, meu filho, é perdição.”(Onde andará Dulce Veiga – Caio Fernando Abreu)

Diga o que você quiser, faça o que você quiser. Não diga nada. Se achar melhor. Minta, não será pecado. Mas se contar tudo, não se esqueça de dizer que eu sou feliz aqui. Longe de tudo, perto do meu canto”(Onde andará Dulce Veiga – Caio Fernando Abreu)

“Que se possa cantar, e o universo passa a ter sentido.”(Onde andará Dulce Veiga – Caio Fernando Abreu)

................

“Meu pobre coração não vale nada
Anda perdido, não tem solução
Mas se você quiser ser minha namorada
Vamos tentar, não custa nada



Até pode dar certo..ai ai
E se não der eu pego um avião
Vou pra Shangai e nunca mais eu volto pra te ver..



Um dia desses eu me caso com você
Você vai ver.. ai ai..você vai ver
Um dia desses de manhã com Padre e pompa
Você vai ver como eu me caso com você”



(Um dia desses – Torquato Neto/Kassin)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Das minhas saudades

Então, de repente, sem pretender,

respirou fundo e pensou que era bom viver.

Mesmo que as partidas doessem, e

que a cada dia fosse necessário adotar uma

nova maneira de agir e de pensar, descobrindo-a

inútil no dia seguinte — mesmo assim era

bom viver. Não era fácil, nem agradável. Mas ainda

assim era bom.Tinha quase certeza.

(Limite Branco – Caio Fernando Abreu)


Ontem, lembrei MUITO DE VOCÊ e deu uma baita saudade. Uma saudade que chegou a dor no coração. Aos pouquinhos a ficha vai caindo. Niede Guidon estava falando sobre pinturas rupestres e a serra da Capivara, e foi IMPOSSÍVEL não lembrar, não doer, não sangrar.


A mim parecia que tinha sido ontem que aquela menina magra e desengonçada entrava na sala de aula da universidade pensando que já era gente. E você, como mestre e coordenador do curso foi dar as boas vindas aos "bichos" falando que era hora de abandonar as ilusões, que a época de faculdade é a melhor e a pior das nossas vidas, e que o mundo era muito injusto e ninguém naquela sala iria ter vida mole.


Dito e feito. Foram momentos únicos, intensos, de muitas aventuras e muitas caras quebradas. Mais que valeram muitíssimo a pena. Hoje sei que se for realmente fazer outra graduação nada será como antes. Naquele tempo tudo era visto com outros olhos. Olhos que viam os acontecimentos pela PRIMEIRA VEZ, e como toda primeira vez é única, inenarrável... É mágica.


Mágica, essa é a palavra certa. Porque tudo tinha o brilho do novo. O novo que move a juventude (e olha eu aqui falando com a cabeça de uma velha careta que você tanto criticava) sedenta de mudanças.


Já faz pouco mais de um mês e ainda sinto sua presença... Seja nas pinturas rupestres, nas músicas do Pink Floyd, nas de Zeca Baleiro, Cazuza cantando Down em mim. Nas roupas pretas, nos braceletes de couros cheio de taxinhas, na sua moto parada na garagem da casa de Samara. Tudo isso martela essa falta...


“− Não quero lembrar. Faz mal lembrar das coisas que se foram e não voltam. (...)Não sinto raiva, não sinto nada. Sinto saudade, de vez em quando. Quando penso que podia ter sido diferente.”(Onde andará Dulce Veiga – Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"Ninguém precisa mais me dizer como é estranho ser humano nessas horas de partida"

A morte de Eugênio tem me feito pensar em muitas coisas que aconteceram nos últimos 4, 5 anos. Me fez perceber como determinadas áreas da minha vida ficaram fora de controle. Como pessoas que eu julgava que fariam parte da minha vida para todo o sempre, hoje me são completamente estranhas (fazendo parte de um passado que parece ser tão distante que a própria natureza se encarregou de engolir). Pessoas com que dividi muitas frustrações e alegrias, choros e risos, e que hoje se encontram tão afastados, quer pelo tempo, quer por brigas de egos. Enfim...

Não vou falar aqui de nenhum nome específico, pois não vem ao caso, mas a fragilidade da morte – que não queremos ver – trás à tona a realidade nua e crua, tal qual ela deveria ser sempre. Realidade que buscamos incessantemente mascarar para evitamos “aborrecimentos”.

Desde terça da semana passada venho sentindo uma necessidade louca de procurar determinadas pessoas das quais me afastei, mas a coragem me falta. Sou cabeça dura, sabe? Não sei passar por cima do meu ego e das feridas abertas pelas palavras que ferem. Palavras que machucam quando proferidas pelas pessoas que você julgava amar.

Certa vez assistindo uma entrevista de Elis Regina, ela falou algo como “vou deixar de me preocupar com pessoas e coisas pequenas. Agora vou cuidar da minha vida...” e a partir disso, passei a ignorar as pessoas que me fazem/fizeram mal. Literalmente risquei essas pessoas do meu convívio.

Logicamente, quando se tem amigos em comum, acabamos sabendo dos fracassos e dos sucessos de fulano e sicrano. E por mais que tente a todo custo parecer uma pessoa insensível, acabo vibrando com as conquista e ficando triste com as derrotas. Eugênio fazia esse elo entre um passado esquecível – e inesquecível ao mesmo tempo – e um presente tranqüilo.

Ele esteve presente em muitos dos momentos felizes dessa fase da minha vida (a banda dele tocou na nossa festa de formatura e sempre que escuto determinadas músicas, pessoas, cheiros e cores, vem tudo a minha mente como um flash). No momento das brigas, ele ficou de fora vendo o circo pegar fogo para não ter que se posicionar entre um e outro “grupo”. Na época lembro que fique com raiva porque ele não tomava partido, mas hoje vejo que foi a decisão mais sensata.

Às vezes ficar em cima do muro é a forma mais coerente de escapar de problemas futuros, a minha própria experiência me fez chegar a essa constatação.

Estou pensando muito na fragilidade das relações humanas e em como essa mesma fragilidade pode ser estendida para os mais diversos setores. E é uma grandessíssima bacaquice acharmos que o tempo vai fazer tudo voltar ao seu normal.

Hoje percebo que o tempo não cura, que o tempo não volta atrás, que o tempo não resolve nada. Somos nós que temos que anular o reizinho que mora na barriga e fazer as pazes com o tempo, porque "O tempo existe, e passa, leva no arrastão as coisas e as pessoas que não morrem: ficam encantadas. Y solo resta el silencio, un ondulado silencio". (Caio Fernando Abreu)


....


A quem interessar possa... Não estou triste nem feliz com tudo que escrevi aqui nesse post, mas sabe aquele momento que é necessário colocar pra fora? Então coloquei.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Fragmentos, ou feridas abertas

"Fico tão cansada às vezes, e digo pra mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. E fumo, e fico horas sem pensar absolutamente nada: (...)” Caio F.


Estou aqui de frente para o notebook tentando terminar a aula para a turma de serviço social, na vã esperança de conseguir afastar essa preguiça e esse desânimo que se apoderaram de mim com mais intensidade de ontem pra cá. Até a perspectiva de viajar amanhã parece sem sentido. No fundo eu queria “algum remédio que me dê alegria”. Ainda tenho as malas para arrumar, sessão de relaxamento a tarde, aula a noite, encerramento da semana do administrador, e um vazio sem fim tomando de conta desse ser em crise (pra variar). Já notei que sempre que se inicia uma nova etapa na terapia essas dúvidas volta com mais insistência. E não tem como não lembrar as músicas que escuto quando estou no fundo do poço. Tipo essa da Zélia das primeiras eras:

Por Hoje é Só

Nem que eu contasse as gotas do mar, todos os dias
Pra me acalmar do que eu nunca fiz
Nem que eu parasse as ondas do ar, dia após dia
Descansaria as horas em mim,
Por hoje é só
Bruxas e reis sorriram pra mim,
Sei que é assim
Certo é errar, mas quando acordei corri devagar
Sem perceber cheguei aqui.


Amanhã estarei dentro do õnibus indo pra João Pessoa com a minha mãe do lado. Espero que a chuva dê uma trêgua. Preciso ir para a praia caminha e me aconselhar... Ficarei ausente até quinta. Então mandei boas energias, pois a "fé me abandonou"

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Recadinho

Amor, hoje estou cansada, com sono e a cama clama por mim. Infelizmente não posso te esperar. Sei que prometi ficar aqui, firme e forte, mas o sono ta vencendo essa batalha desleal. Hoje não tive trampo, só que a teoria da conspiração voltou a fazer vítimas e você não tem previsão da hora que sai do trabalho [espero que tenha hora extra remunerada, mas dinheiro$ para o final do ano.. rs]

Aqui ta fazendo um friozinho gostoso, bem que você poderia ta aqui, né?

A mente já começou a pensar em “Anistia, lenta e gradual” [fazendo aquela cara!]

Mas tudo bem, amanhã a gente se pendura no telefone e conversa até o celular descarregar, ou os bônus acabarem... rs

Fica aqui meu beijo de boa noite.

Te amo!


Ah! Estava procurando alguma coisa do Caio F. que servisse pra gente e num é que achei!


- Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.

- Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.”(Morangos Mofados – Caio Fernando Abreu)

[Vem pra cá?]


domingo, 6 de junho de 2010

"O tempo existe, sim, e devora."

Olha, lá fora tem um sol bem grandão, quase não tem nuvens, o céu está completamente azul, tingido de um azul que adoro, uma brisa fraca bate descaradamente no meu rosto e cá estou eu, num dia de cinza completo, sentada na frente desse computador que anda sendo um dos meus algozes mais cruéis. Se não fosse o calendário a me lembrar que hoje é domingo, poderia achar que hoje é segunda, e que mais uma vez tenho uma semana exaustiva pela frente..

Nada de interessante aconteceu esses dias (amor, desculpe-me, mas estou me referindo ao fato de ter que me agüentar 24 horas por dia, sete dias por semana, com todas a loucuras que tenho em mim e que nem sempre, ou quase nunca, fazem sentindo). Continuo fazendo terapia e às vezes bate um desanimo. Ficar muito tempo comigo mesma tem se revelado uma via de mão dupla, ora tenho ótimas surpresas e ora tenho vontade de desaparecer, meio como cantou Zeca Baleiro “às vezes me preservo nuotras, suicido!”... Não que eu vá tomar atitudes desesperadas, como por fim a minha vida, ou algo que o valha. Já superei essa fase faz tempo, mas descobrir que sou a pessoa mais contraditória que conheço não é uma tarefa muito fácil para tentar manter o que me resta de sanidade.

E nessas horas só consigo pensar como Caio Fernando Abreu “não estou louca nem bêbada, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, ah não se preocupe, meu bem, depois que você sair tomo banho frio, leite quente com mel de eucalipto, gin-seng e lexotan, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a banchá e arroz integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina ou ligo para o cvv às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas tipo preciso-tanto-uma-razão-para-viver-e-sei-que-essa-razão-só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá e me lamurio até o sol pintar atrás daqueles edifícios sinistros, mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma?”. E continua: “te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando.”. (Morangos Mofados)

Eu sei, eu sei, muito escatológico, confesso! Mas fazer o que? É o único sentimento verdadeiramente Ana de ser... Procurar nuvens de tempestade e as fazer derramar o seu liquido é a minha “praia” – contradições a parte, tenho certeza que você entende o que estou falando...

Aninha M.P.

PS: Você falou que ando muito preguiçosa, que abandonei o blog, que não comento mais no seu, etc, Tudo verdade, mas isso é apenas mais uma fase, logo as nuvens negras seguem seu curso, o sol volta a brilhar aqui dentro, o rei volta para o seu trono majestoso e brinca de ser dono do seu próprio Destino.