Ela veio hoje como havia falado na terça. Confesso que já esperava (pressentia mesmo) que tudo tinha acabado. Mesmo antes dos sentimentos ficarem confusos ou sei-lá-o-quê. Não sei se foi esse pressentimento ou a minha razão fazendo a lição de casa, mais em nenhum momento fiquei com raiva ou coisa do gênero. Talvez tenha sido melhor assim...
Não era o nosso momento. Ela acaba de sair de um relacionamento de 5 anos extremamente desgastante com uma garota que só causou problemas e eu ainda continuo envolta em muitas dúvidas e hesitações quanto ao meu futuro. Conforme nós íamos colocando os pingos nos i’s - durante as quase 5 horas de papo -, tudo parecia ficar mais claro. Não estamos prontas pra qualquer tipo de relação que envolvesse algo além de amizade. Não resta dúvida, foram bons os dias que passei ao lado dela, todas as vezes que saímos notava que rolava uma química, que nós combinávamos em muitas coisas, mas tirando isso, nós pertencíamos a mundos diferentes, estamos vivendo momentos diferentes. Ela tinha uma bagagem emocional que eu ainda não tenho, e quem eu tenha uma imaturidade que ela não suportaria conviver. E eu não poderia cobrar coisas dela que nem consigo ainda cobrar de mim, e infelizmente nenhuma relação suportaria esse tipo de provação (foram mais ou menos essas as palavras dela quando se referiu ao nosso relacionamento até aquele instante)... Foi meio que um fim anunciado, mas um fim sem traumas para nenhum dos lados. Ficou só aquela sensação de que faltava algo (O que, não sei dizer... Apenas sentir)
Triste fiquei, não nego, mais pelo menos ganhei uma amiga que poderá dividir um pouco das experiências dela, enquanto vou aprendendo com meus próprios erros e acertos. Ka continua sendo uma pessoa muito importante na minha vida, ela me mostrou coisas que até bem pouco tempo eu não acreditava que pudesse existir. Ela me devolveu uma paz que não sentia, e nem sabia ser capaz de sentir...
Nós almoçamos juntas hoje e quando tudo acabou de fato, saí com uma sensação de tranqüilidade, reafirmando, como nunca, que ainda acredito ser possível ser feliz, mesmo quando a vida prega peças na gente. Hoje também senti como se fosse uma expansão dos meus sentimentos, e enquanto almoçávamos lembrei de todas as pessoas que amo e fiz uma prece de coração para todos, e um alívio tomou de conta do meu ser. A despedida foi tão tranqüila que pareceu mais uma promessa de que em breve a gente voltaria a se ver de novo, e quem sabe dessa vez estejamos prontas uma para a outra...
Por enquanto vou vivendo o (e no) meu mundinho, matando um leão por dia e rezando para que a minha mãe abra a cabeçinha e coração dela... “Para quando o arco-íris [finalmente] encontrar o pote de ouro” ela possa me aceita.
M.P.



