"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

“Para quando o arco-íris [finalmente] encontrar o pote de ouro”

Ela veio hoje como havia falado na terça. Confesso que já esperava (pressentia mesmo) que tudo tinha acabado. Mesmo antes dos sentimentos ficarem confusos ou sei-lá-o-quê. Não sei se foi esse pressentimento ou a minha razão fazendo a lição de casa, mais em nenhum momento fiquei com raiva ou coisa do gênero. Talvez tenha sido melhor assim...

Não era o nosso momento. Ela acaba de sair de um relacionamento de 5 anos extremamente desgastante com uma garota que só causou problemas e eu ainda continuo envolta em muitas dúvidas e hesitações quanto ao meu futuro. Conforme nós íamos colocando os pingos nos i’s - durante as quase 5 horas de papo -, tudo parecia ficar mais claro. Não estamos prontas pra qualquer tipo de relação que envolvesse algo além de amizade. Não resta dúvida, foram bons os dias que passei ao lado dela, todas as vezes que saímos notava que rolava uma química, que nós combinávamos em muitas coisas, mas tirando isso, nós pertencíamos a mundos diferentes, estamos vivendo momentos diferentes. Ela tinha uma bagagem emocional que eu ainda não tenho, e quem eu tenha uma imaturidade que ela não suportaria conviver. E eu não poderia cobrar coisas dela que nem consigo ainda cobrar de mim, e infelizmente nenhuma relação suportaria esse tipo de provação (foram mais ou menos essas as palavras dela quando se referiu ao nosso relacionamento até aquele instante)... Foi meio que um fim anunciado, mas um fim sem traumas para nenhum dos lados. Ficou só aquela sensação de que faltava algo (O que, não sei dizer... Apenas sentir)

Triste fiquei, não nego, mais pelo menos ganhei uma amiga que poderá dividir um pouco das experiências dela, enquanto vou aprendendo com meus próprios erros e acertos. Ka continua sendo uma pessoa muito importante na minha vida, ela me mostrou coisas que até bem pouco tempo eu não acreditava que pudesse existir. Ela me devolveu uma paz que não sentia, e nem sabia ser capaz de sentir...

Nós almoçamos juntas hoje e quando tudo acabou de fato, saí com uma sensação de tranqüilidade, reafirmando, como nunca, que ainda acredito ser possível ser feliz, mesmo quando a vida prega peças na gente. Hoje também senti como se fosse uma expansão dos meus sentimentos, e enquanto almoçávamos lembrei de todas as pessoas que amo e fiz uma prece de coração para todos, e um alívio tomou de conta do meu ser. A despedida foi tão tranqüila que pareceu mais uma promessa de que em breve a gente voltaria a se ver de novo, e quem sabe dessa vez estejamos prontas uma para a outra...

Por enquanto vou vivendo o (e no) meu mundinho, matando um leão por dia e rezando para que a minha mãe abra a cabeçinha e coração dela... “Para quando o arco-íris [finalmente] encontrar o pote de ouro” ela possa me aceita.

M.P.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Reaprendendo a andar sozinha.

Sempre que algo de ruim acontece é que damos o devido valor as pequenas coisas da vida. É sim em tudo na vida. Se estamos num enterro, buscamos lembrar os melhores momentos vividos ao lado daquele pessoa que povoou a nossa vida. Se estamos num hospital, tentamos lembrar dos momentos em que vivemos a vida com toda a intensidade que ela é capaz de oferecer e a gente de sentir. O nascimento do primeiro filho da sua melhor amiga. O final de semana perfeito ao lado da pessoa amada. O melhor show da sua vida...

Hoje quando acordei passei muito tempo na cama sem vontade de encarar o mundo lá fora. Acordei meio cabreira e lembrei dos momentos “negros” vividos alguns anos atrás, mais precisamente em 2005 quando a minha vida deu aquele “boom”. Muitas coisas aconteceram para que eu perdesse completamente o rumo (faltou, literalmente, chão debaixo dos pés).

2005 ano foi sem sombra de dúvidas o pior ano da minha vida. Foi quando descobri que gostava de mulher (na época foi uma descoberta comparável a um bomba atônica no meu emocional), foi ano que meu pai faleceu e o ano que passei 3 meses presa a uma cama e mais 4 fazendo fisioterapia por ter fraturado a rótula e rompido um dos ligamentos do joelho. Ou seja, o período mais trash da minha vida. Mas como nada é em vão nessa vida, tentei, depois de muito choro e desespero, precisei procurar algum lado bom nessa história toda para não pirar.

Quando se passa 7 meses sem poder andar com as próprias pernas e dependendo das pessoas para tudo - por tudo entenda tudo mesmo, desde tomar banho e vestir a roupa até sair de casa para ir na clinica acompanhar a sua recuperação a passo de tartaruga (metafórica e literalmente falando) – o tempo é o seu único aliado ou inimigo, dependendo de seu humor. Lembro que foi nessa época que aboli de vez o uso do relógio. Teve u momento – logo no início - em que olhava para o relógio quinhentas vezes para me certificar que o tempo estava passando. Já notaram que quando estamos refém do tempo tudo parece parar, e a vida da gente fica em suspense? De lá pra cá nunca mais usei relógio e a minha relação com o tempo é sempre muito delicada. Uma relação de amor e ódio.

Porque estou escrevendo isso? Bom, vamos aos fatos...

Faz exatamente uma semana que não tenho nenhuma noticia de Ka. Ela simplesmente desapareceu do mapa. Não entrou mais no MSN, não respondeu as minhas mensagens e nem se deu ao trabalho de entrar em contato comigo. Após passar uma semana inteira (de 6 à 13 de novembro) contando os dias para o show de Paralamas e a vinda dela aqui pra casa, no sábado, dia 14 ela avisa que não poderia vim porque estava com muito trabalho pendente. Tinha que enviar o segundo capítulo da tese para a orientadora e estava no final de período com as 4 turmas da universidade, precisando corrigir provas e trabalhos, lançar notas nas cadernetas e tudo mais.

Confesso que fiquei chateada, pois havia criado muito expectativa – e aqui o erro foi todo meu, achei que já tivesse aprendido a lição “não criar expectativas, principalmente quando essa envolver terceiros”, mas mesmo assim fui para o show e adorei. Durante a semana passada tentei todas as formas possíveis e imaginais de falar com ela. Mas ela não quis se encontrada, resolvi deixar quieto. De lá pra cá tenho ficado triste. Odeio silêncios, ainda mais em situações como essa. Prefiro mil vezes resolver as coisas logo de uma vez, nem que isso implique choro e deprê, do que ter que ficar nesse suspense que só acaba comigo, uma pessoa extremamente ansiosa, dona de uma mente fantasiosa – já imaginei mil e uma situações diferentes para essa história.

Agora estou no momento “meio bossa nova e rock’n roll”. Só que sem querer me entregar ao fundo do poço. Saí no sábado a noite comigo mesma e acabei encontrando meus amigos e fiquei até a hora que deu. No domingo fui para o batizado do filho da minha amiga Eliana no sítio da família dela e foi muito bom... Acabei mudando a sintonia, mas agora estou naquela fase de carência, louca por um ombro amigo. E o trágico é não poder contar com a minha mãe e nem com Vivi que deve tá chegando semana que vem...

Enquanto isso estou fazendo companhia a Cazuza ou seria o contrário? Não sei bem, mas a trilha sonora é “o mundo é um moinho, vai destruir teus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões a pó”...



M.P.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Pensando em você...

Pensando Em Você

Composição: Paulinho Moska



Eu estou pensando em você.
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só
Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs

Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
E com você me sinto bem

Eu estou pensando em você
Pensando
em nunca mais
Te esquecer
Eu estou pensando em você
Pensando
em nunca mais
Te esquecer.

Pensando em você.
Pensando em você.
Pensando em você.
Pensando em você.



É... O amor deixa a pessoa muito piegas, previsível, boba, aluada. Estava aqui lendo e escutando algumas músicas, ansiosa para receber logo o e-mail da menina que tem o mar no olhar, e então começou a tocar essa música, ai sabe aquela vontade incontrolável de falar com o ser amado? Pois bem, não dá pra ligar agora porque ela vai dá aula até 11 da noite. E para não perder a oportunidade acabei mandando uma mensagem para o celular “Estou pensando em você”.


Ai fica a dúvida, será que ela já leu?


Será que gostou?


(Vai ser ansiosa assim na China!)


Amanhã vai ter Paralamas do Sucesso (“cuide bem do seu amor, seja quem for” – foi inevitável!l) e eu quero muito acreditar que ela virá pra cá e passará o final de semana comigo.


Mas um pouco de tempo e logo terei a resposta.


Que os Deuses nos ajude!


Que os dias de paz esteja em nós.


M.P.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Carta à minha psicóloga.


Mary,


Hoje definitivamente não gostei nadinha da terapia. Estou até agora com meu quengão fervendo com todas as “atrocidades” que você falou de/sobre/para mim. Está certo que concordo com algumas coisas, mas acho e sei que existem formas e “formas’ de se falar o que queremos sem passar por cima dos sentimentos das pessoas, sem machucá-las. Não sei se estou fazendo tempestade em copo d’água – coisa que adooooro fazer -, mas achei sua atitude de uma grosseria sem tamanho.


Na verdade estou me fazendo inúmeros questionamentos a respeito das técnicas que você anda utilizando no meu caso. Não quero com isso duvidar da sua competência profissional, longe de mim tal pretensão. Mas essas suas atitudes de “super sincera” nem sempre ajudam. E se ajudam, dói demais para ser percebida pela minha “burrice” mestre.


É tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, da quedas, dos medos, dos choros. Nada é errado, quando o erro faz parte de uma procura ou de um processo de conhecimento, mas às vezes você me faz me sentir a pior das criaturas, e não sei se isso é “certo”. É mais ou menos assim que estou me sentindo hoje depois que sai do consultório. Confusa é pouco pra conceituar os grilos que passaram a povoar aqui dentro.


Sei também que não terei coragem de falar isso pessoalmente, pois estou utilizando desse artifício – a palavra escrita – para evitar falar coisas que não se deve dizer e acabar por cometer o mesmo erro que você.


Por enquanto é só. Caso tenha esquecido alguma coisa, torno a escrever em breve.


No mais, boa sorte!


Beijos


M.P.

domingo, 8 de novembro de 2009

"Ela me faz tão bem, ela me faz tão bem, que eu também quero fazer isso por ela"


Estou tão, tão, tão feliz que andar nas nuvens é pouco pra descrever o meu momento. A viagem para o braço do meu azul profundo foi simplesmente inenarrável! Adorei tudo! A cidade dela é linda, as pessoas que conheci são encantadoras, só a prova que foi terrível - nem tudo são flores. Fiquei completamente louca de “tesão”. Estou de quatro por ela, e olha que nem chegamos nos finalmente (ocasiões, espero, não faltaram para isso)... Foi tudo tão LINDO. Estou com cara de boba e suspirando pelos cantos. Fazia tempo que não me sentia tão bem... Às vezes fico até meio paranóica achando que não sou merecedora de tanta felicidade, mas depois penso sobre tudo que anda acontecendo ao meu redor e aqui dentro. Coisas e sensações que não tem nome, só sentindo pra saber, ai todos os pensamentos passam a divagar buscando o olhar e a segurança de “K” sem parada nem contratempo.


Ando boba e adorando cada vez mais as coisas simples da vida. Já assisti o filme “O fabuloso destino de Amélie Polan” 4 vezes esse final de semana só porque me sinto em paz novamente, por tudo que aconteceu no final de semana passado...


Até as coisas que poderiam me irritar em tempos passados, hoje me fazem abrir um sorriso de orelha a orelha. Passei a olhar tudo com tanta suavidade, chegando perto da “insustentável leveza do ser”. Talvez o grande fascínio da vida seja justamente esse: descobrir as coisas simples da vida e se sentir amada e amando. Acabei de lembrar de um poema de Fernando Pessoa: Todas as cartas de amor são ridículas e não seriam de amor se não fossem ridículas. Estou me sentindo ridícula, mas é tão bom!


Já estou começando a ser repetitiva. Em outro momento conto com mais detalhes sobre tudo. O meu lado razão mandou silenciar um pouco... Coisa que é difícil de ser atendido. Acabei de receber um e-mail dela. Talvez ela venha pra cá próximo final de semana para o show de Paralamas e Fagner... Tudo vai depender do trabalho dela e logicamente que estou com esperanças que tudo aconteça. Adriana Calcanhotto falará por mim:



Se tudo pode acontecer

(Composição: Arnaldo Antunes / Paulo Tatit / Alice Ruiz / João Bandeira)


Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer
Qualquer coisa
Um deserto florescer
Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão
Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando
De mão dada
de qualquer maneira
Eu quero que esse momento
Dure a vida inteira
E além da vida
Ainda de manhã
No outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer


Beijos,


M.P.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia dos mortos, coração e saudade


“Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento
Lágrimas negras caem, saem, doem”

(Lágrimas negras - Otto)




Estou aqui tentando montar um texto sobre as 5 coisas que não gosto em mim e as 20 que gosto. Pra ser sincera as 5 coisas já vão em quase 10.. E as boas estão me dando trabalho. Mas irei fazer. Quero ir para a terapia com o dever de casa cumprido.


...............

Definitivamente não gosto do dia de hoje... Por isso faço de conta que é apenas mais um dia, mas mesmo assim a saudade não me deixa esquecer.


Já gostei de Igreja. Hoje em dia só entro nelas para conhecer e admirar a beleza arquitetônica ou quando alguma amiga se casa. Em cemitérios nunca fui chegada. A morte sempre me assusta. Não a morte em si, mas os seus desdobramentos. A ausência, a saudade, a espera em reencontrar o outro, a angústia de saber quando isso vai acontecer, e as todas as coisas que acabam desestabilizando as pessoas fracas como eu. Apesar de acreditar na imortalidade da alma, na reencarnação, às vezes isso não é suficiente para acalmar o coração. Ele parece ser um pouco “burro” e exige de todas as formas a presença, o abraço, o carinho palpável que não está mais presente. Presente, vai ver que é isso. O coração é presente e a saudade é passado querendo ser presente. Vai ver é por isso que insisto tanto em viver no futuro que não existe... Futuro que começa com a mesma letra “F” de Fuga.

Para aqueles que vão a Igreja ou ao culto, rezem para os mortos e, principalmente, para os que estão vivos e se encontram mortos, pois esses precisam muito mais de ajuda.


Enquanto isso ficarei aqui no meu mundinho lendo Caio Fernando Abreu, ouvindo minhas músicas e sentindo saudades.


M.P.