"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

"Eu uso as palavras de um perdedor"

Às vezes dá vontade de colocar a mochila nas costas e o pé na estrada só pra ver se alguém vai sentir falta de mim quando não estiver mais por perto. Essa sensação horrorosa de que sempre estar faltando uma parte anda me consumindo loucamente. Já não tenho a mínima idéia do que fazer para deixar passar. Na minha cabeça colocar o pé na estrada parece ser a mais viável e, ao mesmo tempo, um erro, pois, por mais que a gente caia fora, os problemas nos seguem.

Você criticou minha constante necessidade de isolamento e falou que tem medo por mim. Que esse casulo/muro se sobressai mais que a pessoa “maravilhosa” que sou. E na boa, não pense que não sei identificar ou receber um elogio, mas não te levo mais tão a sério como antes. Esses dois anos de convivência na terapia tem me deixado calejada/protegida/inume a esses seus “ataques” sentimentalóides. Desculpe, mas ando numa fase é que é melhor acreditar no nada, do que no visível/dizível das pessoas e das coisas sobre mim e a minha vida (ninguém sabe de porrissima nenhuma que se passa aqui dentro. Nem eu sei... O que dirá os outros?!).

Nem sei por que estou escrevendo isso... Tudo parece tão sem sentido, assim como tudo na minha vida.

domingo, 7 de novembro de 2010

Devaneios

Às vezes você me deixa confusa com suas metáforas e histórias inventadas. Será que algum dia você será capaz de falar abertamente o que quer sem recorrer a esse tipo de comportamento? Não estou revoltada com você, porque já entendi que esse é seu jeito de ser, mas bem que você poderia fazer uma força e tentar entender meu mundo da mesma forma que tento entender o seu.

Outro dia você falou que quanto mais eu bato e esperneio, mais você sabe que eu te amo, também falou que você faz determinadas coisas só pra ver minha “demonstração de amor”. E tento buscar essa sua certeza nas minhas atitudes e só consigo perceber/ver autopreservação, meio que instinto, reflexo mesmo. Não sei se conseguirei derrubar todos os meus muros pra me doar. E sei também que você tem os seus muros e como tenho medo de altura, talvez nem tente escalar. Tenho muito medo de me machucar, ou de te machucar.

Ultimamente ando sem grandes certezas ou verdades. Venho tentando viver um dia atrás do outro sem colocar expectativas, pois sempre que faço planos, alguma coisa acontece e quem se ferra sou eu (não é teoria da conspiração não, é só constatação). Se pelo menos você pudesse me salvar sempre – meio como o príncipe que salva a princesa da bruxa, da madrasta da má –, me dar o colo que preciso e que nunca peso: por medo, por egoísmo, por teimosia, vai saber. São tantas possibilidades que fica difícil escolher uma. E nem sei se você seria ou poderia se encaixar como possibilidade. Você é tão inconstante...

Você estar conseguindo entender tudo o que digo? Será que vai colocar um pouco de atenção nessas palavras que aparentemente não possuem sentido? Não sei. Talvez nunca saberei de fato. Enquanto escrevo essa “carta” fico pensando se vale a pena mandar, se você vai perder seu precioso tempo com os meus devaneios.

Apesar dessa casca de segurança que tento transparecer, sou muito insegura naquilo que não tenho como fazer comparações... E o amor é um campo de insegurança total. Ele requer que as pessoas envolvidas possam se jogar do abismo como se nunca fosse chegar ao chão. Só que esse momento de irracionalidade que o amor proporciona, também acaba e fica aquele medo do “e se” quando chegamos ao chão... E se tivesse sido diferente? E se pudesse voltar atrás? E se, e se... Como se fosse possível voltar. E a gente nunca volta, porque o tempo existe e devora! Não admite erros, e cobra com juros os que não souberam viver. “O Tempo é um orixá tão poderoso que não existe cavalo capaz de suportar o peso dele. Por isso não encarna, só ronda”. (Caio F.)

E ai lembro de Gonzaguinha “E a vida! E a vida o que é? Diga lá, meu irmão Ela é a batida De um coração Ela é uma doce ilusão E a vida Ela é Mara”vida” Ou é sofrimento? Ela é alegria Ou lamento? O que é? O que é? Meu irmão...”

Sabe quando teremos essa resposta? Sendo otimista, na velhice, quando o calor do querer viver se torna mais lúcido em contraposição ao fim. E sendo realista – ou como você preferi – pessimista, nunca, pois o que não foi não é, nem nunca será.

sábado, 9 de outubro de 2010

"Se você olha pra mim, se me dar atenção..."


Ontem fui para a festa de comemoração dos 7 anos da instituição que trabalho e que também comemorava a aprovação dos cursos de medicina e psicologia pelo MEC. A minha felicidade foi maior quando anunciaram que a apresentação principal seria Renata Arruda. Sempre gostei do som dela e nunca tinha tido oportunidade de vê-la cantar em JP porque sempre acontecia alguma coisa na hora H...

Então ontem depois da aula fui para a festa. Chegando lá meus alunos estavam e meus amigos. Fico com meus amigos a uma boa distancia do palco conversando bobagens quando a Naja Mor e a Primeira Dama chegam (momento desagradável). Como ninguém desconfia da minha “inimizade” não declara à Naja, simplesmente faço de conta que não os vi. A primeira dama veio falar comigo, conversamos amenidades, até mesmo porque ela não tem nenhuma culpa no incidente protagonizado pelo seu “marido”.

Só que infelizmente quando não gosto de uma pessoa sou muito má! Não perdi a oportunidade de rir (interiormente) das mancadas e babaquices da cobra venenosa. Ele deve ter algum distúrbio mental, pois é inconcebível uma pessoa quase sexagenária dançar como os adolescentes que estavam na festa. Tenho certeza ABSOLUTA que hoje ele não vai conseguir se levantar da cama e por um momento adoraria ser uma mosca para presenciar a cena (o veneno escorrendo pela boca)... Mas enfim, vamos ao show propriamente dito...

Antes da atração principal teve uma “bandeca” de “pagode” muito do FULEIRO que só poderia ser da cidade de Sousa, cujos detalhes não vou me ater.

No intervalo entre uma e outra atração, vejo um grupo de alunos passando do nosso lado, falo com eles, mas uma ex-aluna que sei que é lésbica deu em cima de mim descaradamente – detalhe: ela estava acompanhada. Fiquei super constrangida pois as pessoas do meu grupo não sabem da minha orientação sexual. Sei que devo ter mudado de cor, olhei toda desconfiada para ver se alguém tinha notado... Achei que não e fiquei na minha. (Tenho absoluta certeza que a intenção dela era comprovar se eu sou ou não lésbica, uma vez que sou discreta, afinal Cajazeiras é um ovo e as línguas maldosas são hábeis em destilar veneno)

Quando Renata Arruda resolve aparecer no palco (00:30) eu e a torcida do Corinthians já estávamos cansados de esperar. Alguém deveria ter dito a ela que amanhã é sábado e todos os mortais têm que trabalhar se quiserem sobreviver... Metade dos meus amigos já tinham ido embora e eu não estava muito afim de ficar com o povo esquisito da FSM. Imploro a minha prima Luana pra ficar pelo menos até ela cantar as músicas que me fizeram ficar até aquela hora.

Vamos para perto do palco onde tinha pouca gente. Outros amigos se juntam a nosso e ficamos prestando atenção aos detalhes do show. Então eis que a minha ex-aluna surge no nada. Ela manteve a mesma estratégia, só que dessa vez sustentei o olhar e pude notar que a “namorada” dela viu TUDINHO! Ela (minha ex-aluna) ficou ruborizada e saiu de perto...

Saldo na noite: notei que não apareceu nenhum rosto novo na praça; a pirralhada continua bebendo como se amanhã não fosse mais ter cerveja no mundo; briga de mulher é a coisa mais emocionante na fase da terra; o Butantã estava em peso na festa, mesmo com toda a rivalidade com a FSM; a esposa da minha chefinha é uma gatosa (como todo respeito!); Renata Arruda não mudou o seu repertório; e eu continuo maldosa e venenosa como sempre, além de ter chegado a conclusão de que estou ficando velha para determinadas coisas, tipo: trabalha o dia todo e a noite ir para uma festa. É, a idade é FODA! =P

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Um pouco mais triste e cansada...


E foi assim, fechou os olhos e se foi. Aos que ficaram, restou o gosto amargo da saudade. Aquela sensação de tristeza que ele conseguia afasta tão bem

E essa fraqueza, esse nó na garganta que toma conta do nosso ser, nada mais é do que a mistura de incredulidade e realidade nua e crua, além da certeza de como a vida é breve!

Como uma pessoa que é tão boa, tão gentil pode parte e deixar tantos órfãos? Onde está Deus agora? Fé... Sempre fica a dúvida: o que a gente vai encontrar depois daqui?

Você não acreditava em Deus, mais foi capaz de “inventar” um céu de cachorros para tentar consolar Samara que chorava abraça a Dudu. E agora Samara terá que inventar um céu de estrelas do rock para o pai de Maya. o pai Deus/herói.

A tua partida foi um choque e pegou todos de surpresa. Quando uma pessoa está doente, meio que já se espera o pior, mas quando uma pessoa está gozando de plena saúde, fica sempre a dúvida: existe justiça?

Entenda não é revolta, são apenas constatações sobre a finitude de tudo que acreditamos (ou não)... Talvez a certeza de um algo mais incompreensível agora que estamos com tanta dor, cansados das batalhas diárias...

As palavras acabam e não sei mais o que escrever. Meu peito só sangra...

Quando Luana ligou para contar, juro que não acreditei. Fiquei esperando ela falar algo como “é brincadeira!” e então eu diria meia dúzia de palavrões (alguns dos quais aprendi com você nas aulas imemoráveis de história na UFCG), ameaçaria ela de morte (metáfora!) e então voltaria tudo ao normal.

Só que isso não aconteceu. Muito pelo contrário, restou a mim mandar e-mail para os meus colegas de turma com quem ainda mantenho algum contato. E a pior de todas as tarefas, falar para minha irmã - que te venera como a um Deus do Rock - o teu falecimento.

Desculpe a fraqueza, mas a morte é um dos meus fantasmas...


E recorrendo a Legião Urbana, canto:


É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais

(...)

Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez...


É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais!
E cedo demais...


(...) eu sei
Que você está bem agora
Só que neste mundo
O verão acabou.


Cedo demais!


(Os bons morrem jovens – Legião Urbana)


Viviane acabou de ligar e confirma o que ainda não parece ser real. A crueldade dos dias parecem não ter fim. Gostaria muito de acretidar que tudo não passa de um pesadelo, mas não é... INFELIZMENTE!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Equação

ÔNIBUS VELHO + ESTRADA RUIM = 11 HORAS (que deveria ser 8) DE VIAGEM + CONGESTIONAMENTO + VÁRIAS CARREATAS NO MEIO DO CAMINHO DE VOLTA PRA CASA.

SALDO: positivo se levar em consideração que não "arrumei" nenhuma confusão e não alterei meu humor.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"morrendo um pouco a cada dia..."

Quinta-feira:

- O mundo não pára

- Uma simples rasteira, ou um mega tombo, tem em comum a mesma atitude depois de sofridos. A dor.

- A morte das várias Ana"s e essa saudade incomensurável de voltar e ao mesmo tempo de mudar.

- Quero baldes de café e um ombro.

Minto!

- Quero colo, vinho, musica alta, chorar tudo que tenho direito e depois uma bela noite de sono. E, como sol depois da tempesstade, voltar revigorada.

- Estou/sou CONTRADITÓRIA, e a CONFUSÃO é meu território


Quando esse post resolveu sair de mim, estava conversando com duas pessoas importantes. E uma das conversar será postado aqui quase na integra para quem não entenda nada que está escrito lá em cima possa entender....



...........


Mary Luce diz:

você ta de folga??

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

quinta é o dia que não tenho aula na FSM

Mary Luce diz:

eita vida boa

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

pera que vou transcrever um dialogo que estou tendo com uma amiga e depois você ver se é bom o não a minha vida (adoro um drama mexicano!)

Mary Luce diz:

ok

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

Grazy diz:

to morta

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

se eu estivesse morta boa parte dos problemas estariam resolvidos (ou não)

Mary Luce diz:

aff

que funebre

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

não diga

cont. do diálogo

Grazy diz:

acho que hoje queria um colo...rs

estou desolada

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

eu queria colo, vinho, musica alta e chorar tudo q tenho direito

e depois uma bela noite de sono

Mary Luce diz:

só gostei da bela noite de sono

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

é porque as vezes o sono tem a capacidade de revigorar.. é como o sol depois da tempestade

Mary Luce diz:

kkk

eita misturada

sol, sono

tempestade

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

mas tenho certeza absoluta que você entendeu o espírito da coisa..

Mary Luce diz:

entendiiiiiiiiiiii

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

eu estou/sou CONTRADITÓRIA, e a CONFUSÃO é meu território

Mary Luce diz:

prefiro a parte do revigorar

do sono

o resto deleta

coloca na lixeira e depois exclui

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

não, já estou terminando o post e todos esses elementos estão presentes.. não adianta fugir se é assim q me sinto

Mary Luce diz:

o bom é você tentar observar q em cada coisa negativa tem o positivo

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

é porque já faz um tempinho que descobri que a vida e os seres humanos (?) são seres duais, mesmo que geralmente eu só queira ver o negro da coisa toda

Mary Luce diz:

kk

veja primeiro o branco

veja o copo metade cheio

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

70% das vezes ele tá sempre meio seco

Mary Luce diz:

cadê os ventos que movem moinhos??

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

vem sempre do leste, mas estou muito mais inclina ao oeste, ao fim, ao pôr-do-sol

Mary Luce diz:

o por do sol é o começo da lua

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

quem sabe a própria morte, como canto Oswaldo Montenegro "morrendo um pouco a cada dia..."

Mary Luce diz:

vivendo a morte solvida de saudade

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

tem certeza que você não quer que eu chore, porque você tá acordando as feras todas ?

“Mesmo que eu te diga: estou morrendo um pouco a cada dia

Porque a saudade está quebrando o que resta da minha ilusão

Preciso juntar os pedaços dentro do meu coração”

Mary Luce diz:

a vida é bonita apesar de..

poetisa

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

esse "apesar de" pesa

Mary Luce diz:

é assim com todos

o apesar pesa, porém o vento leve consegue tirar esse peso

A n a - é só cansaço mesmo - "Os ventos do norte não movem moinhos" diz:

"vento afaste essa dor, tempo chegue mais cedo.. "

Mary Luce diz:

isso

linda frase

.......................


Explicando a morte das várias Ana's... Em post anteriores eu falei que em mim habitavam várias Ana's e quarta quando conversava na terapia foi abordada a necessidade de morte da mais cruel, a mais autosabotadora delas... E como morte é sempre um tema que me atormenta, e o novo nunca me move, fica sempre esse gosto de derrota no ar.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sobre envelhecer, velhice e juventude...

Buenas,

O medo envelhecer é compartilhado por quase todas as pessoas que conheço, inclusive por mim (post inspirado na Dama). Chega ser irônico a forma com a velhice virou sinônimo de incapacitado ou coisa do gênero, apesar das inúmeras amostras que a melhor idade tem dado para a sociedade como um todo.

No fundo, no fundo isso é reflexo da liquidez das relações na sociedade moderna. Também acho que o preconceito pode ser visto na situação inversa. No primeiro dia de aula na turma de serviço social fui surpreendida pela seguinte situação. Uma aluna aparentando pouco mais de 35 anos entra na sala após uns 40 minutos e diz: "professora desculpa o atraso, via que a senhora tinha entrado, mas nunca ia imaginar que uma pessoa tão jovem fosse professora de universidade! Só quando P. saiu e perguntou porque não ia assistir aula foi que fiquei sabendo que já tinha professor na sala. Quando vi a senhora achei que fosse aluna nova."

Então fiquei me perguntando, para ter respeito é necessário ter cabelos brancos? A competência se mede pela idade?

Será que se ela souber que me considero uma velha aos 28 anos faria alguma diferença?

E as “surpresas” não acabam por ai, em outra turma estava falando sobre a necessidade se buscar uma pós-graduação e um aluno me sai com essa: “Professora a senhora deve ter começado muito cedo os estudos, porque com 23 anos a senhora já é mestre!”. Fiquei pulando intimamente de felicidade [pensei: ainda bem que mamãe caprichou]. Tentei mudar o rumo da conversa para não ter que “desiludir” a pobre criatura e o meu pobre coração que não quer acreditar que já estou a um passo dos 30.