"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.

sábado, 26 de setembro de 2009

"Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás"

Vovô não sei escrever poemas (acho que falta sensibilidade) e também ando sem inspiração para escrever textos. O senhor uma vez falou que tem pessoas que tem memória ofativa (lembra?)... Tenho certeza que a minha memória é musical.


Pensando nisso, lembrei dessa música cantada por Ney Matogrosso e achei que servia direitinho pra saudade que estou sentindo do senhor...



Poema

(Cazuza/Frejat)



Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás



M.P.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mandaram minha cota de paciência para o espaço... Ah uma jaula!!!!

Esse post hoje vai ser completamente desabafo. Será que as pessoas não tem “simancol”? Vamos ao relato...
Tive que fazer várias coisas no centro da cidade, pois a greve dos bancos começam segunda. Para não correr o risco de ficar sem dinheiro e nem atrasar pagamentos, tive que enfrentar uma fila gigantesca, já que todo mundo resolveu ter a mesma idéia. Lá chegando passei quase 1 hora na fila (escutando um monte de gente besta falando da vida alheia – porque fui esquecer meu santo mp3 em casa?!) para fazer um saque e pagar algumas contas. Quando saí do banco o sol tava de rachar a “muleira”, a calçada repleta de gente, uma obra em construção que tomava metade da estreita calçada e achando pouco, dois caras que estavam vendendo picolé “estacionam” seus carros de sorvete na dita calçada... Resultado: ninguém consegue passar sem ter que descer da calçada vendo a hora ser atropelado por algum “Dick Vigarista – Corrida maluca”, visto que o dito banco fica na rua mais movimentada da city. O que eu fiz? Como a minha paciência já tinha ido para o espaço no banco e junto com ela a minha boa educação, dou um “chilique”... (Sempre sou meio “barraqueira” quando o meu senso de justiça e impaciência estão a flor da pele). Com a “fúria” estampada na face comecei a distribuir meia dúzia de palavras nada agradáveis.
- Seus bostas, você não estão vendo que estão atrapalhando o transito das pessoas que precisam usar essa calçada?
- Será que é tão difícil andar mais alguns metros até a praça em frente e pararem seus carrinhos?
- Lá, ao que me costas, você não vão incomodai ninguém e ainda podem faturar algum dinheiro já que vender picolé é o seu meio de vida?
Os dois meio sem ação ficaram olhando pra mim e o meu ataque sem nem uma menção de que pretendiam se movimentar... Então comecei, literalmente a gritar:
- Porra, saiam do caminho! Ou terei que chamar a política?
Nisso o cara baixinho começou a se mexer... E num é que um policial que mora na mesma rua que eu apareceu e perguntou o que estava acontecendo? Então expliquei (e os dois patetas olhando pra gente).
Num surto de inteligência momentânea os patetas resolveram fazer o que eu “sugeri”. Porém, para não perder a deixa gritei a plenos pulmões:
- Ah uma JAULA!!!
Já que eu estava com a “lei” ao meu lado eles não falaram nada e um monte de gente que tava acompanhando o episódio ficou rindo...

Bom, era isso!
Então já sabem, nunca pare na frente de uma leonina, sem paciência e com muita fome!! (estou num programa de educação alimentar, em outras palavras, MORRENDO DE FOME SEMPRE!! Mesmo que Drª Hilana não acredite quando eu digo isso!)

M.P.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Os bons morrem jovens...

“É tão estranho os bons morrem jovens... Vai com os anjos, vai em paz... O verão acabou.”


Essa vida é tão estranha... ­­­


Ele só tinha 22 anos e sem mais nem menos se foi...


Prefiro acreditar que por não ter dado um últimos “adeus”, nós ainda iremos nos encontrar.


Sei que andávamos afastados, mas a nossa amizade nunca precisou do contato físico para nos manter unidos. Bastava um pensamento, uma lembrança dos muitos momentos felizes que tivemos juntos para reavivar toda nossa amizade... Telefone nunca foi nossa praia (que ironia da vida, tinha que ter sido num domingo de praia?)


Ainda ontem lembrei das muitas tarde de sábado quando reuníamos todos os amigos em volta da piscina para colocarmos os papos em dia. Lembra que sempre fazíamos planos para os finais de semana prolongados? Lembrei também da época que viramos a noite estudando para o vestibular, e da nossa comemoração quando todos passamos – e você infelizmente não conseguiu entrar no curso de ciências da informática. Até hoje não me conformo, talvez se você tivesse entrado nada disso teria acontecido... (Àquela hora você já tinha partido...)


Sei que não existem culpados, mas me diga como amenizar a dor nessa hora? Você sabe que não consigo reagir diante desse sentimento de perda...


O dia ontem foi tão estranho. As horas não passavam. Tudo era de um cinza assustador, e você sabe como não gostava/gosto de dias nublados... Só agora juntei as peças...


Acabei de ficar sabendo que você iria voltar no final do ano pra rever os amigos e se casar com sua noiva, já que você, que sempre foi apressado em tudo, já tinha encomendado um pimpolho ou pimpolha...


Mas nada acontece como a gente quer. Ah como eu queria te abraçar...


De nós, de tudo, ficam as lembranças, os sorrisos, os abraços...


Espero poder te encontrar logo...


Ah! Esqueci de comentar contigo da última vez que conversamos... Você teve uma parcela muito grande nessa pessoa melhor que sou hoje. Tenha certeza que pra onde for te levarei comigo no coração que hoje é ainda mais corinthiano do que nunca...


As lágrimas não me deixam mais escrever.


Cajazeiras, 21 de setembro de 2009. Primeiro dia de primavera e o primeiro de muitos dias sem Dorian Jr...


Sentirei muitas saudades!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

é por essas e outras que amo essa mulher!!

Bom, faz algum tempo que planejava ter uma conversa com a minha irmã de coração sobre as minhas dúvidas e angústias com relação a minha orientação sexual. Confesso que já tinha pensando inúmeras maneiras de falar com ela, mas nunca consegia colocar pra fora...

Então hoje a tarde comecei a escrever um "jornal" pra ela explicando toda a situação... Sabia que ela iria entender, mas tem certas coisas que a gente fica planejando, planenjando e nunca tem a coragem de dizer ou fazer.

No jornal falei muito do que já disse aqui, só que com riqueza de detalhes. Como já esperava, ela foi super amável.

Eis na integra a resposta...

.........................

Pessoa linda,

Devo admitir que você já é uma linda e forte borboleta, pronta pra alçar voos. Entendo sua angústia e as dúvidas em torno da definição do "quem sou eu", ou "do que eu gosto mais", enfim, mas para além disso, você é uma linda mulher, que tem uma luz que irradia e inebria a todos os que tem o privilégio de conviver contigo (ebaaaaaa, eu sou uma delas).

Te confesso que eu imaginava que fosse algo nesse campo. Há alguns 10 anos atrás uma grande amiga também viveu um momento como este que você está vivendo. Ela passou um tempão criando coragem para me falar algo que eu já sabia, mas que respeitei o tempo dela para conversarmos sobre o assunto. Hoje, ela tem uma relação de quase 10 anos com uma pessoa, mas ainda vive o drama de como fazer com que os pais dela - extremamente tradicionais - lidem com a situação.

Eu entendo perfeitamente como você se sente em relação a não magoar as pessoas da sua casa, mas vou dizer para você o que eu disse para ela na época: "viva a sua vida, ame da forma que te satisfizer mais, faça com que sua vida valha a pena - depois vc pensa em como comunicar isso a sua família. Eles certamente vão entender, porque você estará feliz, radiante, linda, e sobretudo, sendo sincera consigo mesma!!"

Lidar com essa situação é também romper com preconceitos e com amarras que, muitas vezes, fazem com que a gente nem consiga se enxergar direito, ainda mais, nos assumir. Não cobre muito de si mesma, essas coisas vão acontecendo com o tempo. E eu te garanto, que quando você encontrar uma pessoa que abale as suas estruturas, essas amarras vão se desfazer e você vai conseguir viver com plenitude esse sentimento - seja ele dedicado a um homem ou a uma mulher.

Me sinto muito honrada - de verdade - pela confiança que você está depositando em mim abrindo o seu coração dessa forma. Eu, ao contrário de muita gente, não tenho qualquer tipo de preconceito quanto a isso. Tenho muitos amigos homossexuais, bissexuais, e isso não impede que eu seja hetero e a gente se respeite e continue se amando muito. Obrigada, por me tornar especial nesse momento da sua vida!

Conte comigo, sempre!! E se dê esse tempo que é precioso e fundamental para o seu crescimento, para o seu conhecimento sobre si mesma.

Te amo, cabeça de pudim!!
Vivi

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Do chão não passo...


O post será rápido porque as condições não ajudam muito... Ontem fui fazer a prova para o concurso da prefeitura de São João. Após o término da prova estava andando tranquilamente na calçada quando o RETARDADO, INCONSEQUENTE, FILHO DA P*** surge do nada e me atropelou de bicicleta. Então, para não cair estatelada, apoio o braço esquerdo no chão. Resultado: quebrei meu braço na altura da articulação rádio-capal (pulso). Em outras palavras, aproximadamente 30 dias de sofrimento com gesso, dor, dependência e todo o resto que essaa merdaaa implica!
Desgraças a parte, a minha única raiva foi não ter quebrado a cara do bandido que me atropelou e que por sinal caiu, se levantou e desapareceu com a mesma facilidade com que apareceu...


M.P.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Identidade...

A última semana de agosto foi bem interessante... Após uma longa temporada de “exílio” do mundo exterior, resolvi viajar pra João Pessoa, aproveitei para rever alguns amigos queridos e sair da rotina - curti muitíssimo. Conheci gente nova e interessante, com a mente aberta e tal, fui ao cinema, fiz algumas compras, almocei com muitas pessoas queridas, a única coisa que não deu pra fazer foi a caminhada na praia no final da tarde, porque o dia que “guardei” pra isso choveu a tarde e não deu certo. No mais, foi tudo perfeito...

Mas não era sobre isso que resolvi aparecer aqui hoje...

Na volta para as obrigações da minha vidinha acabei pegando um livro bem casca grossa para descascar e apresentar no grupo de estudo da minha amiga. A linguagem é super acessível, mas tem muita informação, o que complica um pouco, haja vista que nunca mais tinha pegado um texto de teoria da história e estava completamente enferrujada... Um livro interessante para quem quer entender a pós-modernidade – ou como diz o autor do livro, Stuart Hall, a modernidade tardia.

Só que também não pretendo discutir o texto aqui porque já fiz isso hoje e não estou com paciência de repetir a dose. Porém teve uma parte muito interessante onde Hall vai fazer uma análise sobre a complexidade do termo identidade.

Nesse exato momento comecei a divagar (coisa que ando fazendo com uma freqüência muito grande!). Em uma parte do livro (p. 09), o autor citando K. Mercer, afirma que “a identidade somente se torna uma questão quando está em crise, quando algo que se supõe fixo, coerente e estável é deslocado pela experiência da dúvida e da incerteza”.

Dito isso, fiquei meditando alguns instantes sobre a sutileza dessa citação. Mesmo não se aplicando ao meu atual estado de dúvidas e incertezas quanto a minha vida pessoal, acho que essa frase também pode ser aplicada a essa situação complica e um tanto quanto instável, onde todas as minhas certezas foram completamente implodidas... Sempre me considerei a menininha certinha, calma, responsável. Resumindo: NORMAL.

Mal sabia eu que o buraco é mais embaixo, e que o mundo “certinho” que tinha construído pra mim não passava de uma fantasia que em nada seria útil na vida prática. Entretanto, muitas coisas “diferentes” tiveram que acontecer para que a coisa toda mudasse – e continua mudando.

Tudo começou quando eu fazia nível médio e comecei sentindo atração por uma professora de química. Nessa época essa que vos fala era a pessoa mais preconceituosa da fase da Terra. Achei que estava ficando doida e como sempre me refuguei nos livros. Estudei feito uma condenada para que os pensamentos “errados” não voltassem a atormentar.

O tempo foi passando e não senti mais nenhuma atração por mulheres. Então acabei passando no vestibular e tudo continuava “adormecido”, até que ELA (S. C.) “surgiu” na minha vida – até hoje gosto de história moderna (rs). A princípio achava que era só uma simpatia momentânea, já que gostava muita da disciplina e da forma como ela ensinava. Então comecei a ficar paranóica de novo. Pensamento como: “Só posso estar ficando completamente doida. Isso não é normal...” passaram inúmeras vezes pela a cabeçinha de vento...

Foi exatamente nesse momento que várias coisas aconteceram na minha vida. Meu pai faleceu, sofri um acidente e passei quase 3 meses sem andar e para piorar, a pessoa aqui ainda precisava gostar de mulheres... Tudo isso acrescentando a uma dose exagerada de carência emocional contribuiu para o surgimento do TOC.

Até hoje me pergunto como não enlouqueci na época... Terminei a graduação e logo em seguida entrei na pós-graduação, o que acabava não dando tempo para pensar na minha orientação sexual. Só que quando tudo começa a se “ajeitar” – a tal professora não “existia” mais e a obrigação com o mestrado sugava todas as minhas energias - os problemas “mentais” tornaram-se mais presentes, ao ponto de interferirem no único aspecto da minha vida que eu comandava com mãos de ferro – minha vida profissional. Acabei caindo de produção e as cobranças na pós só aumentando...

Sabe aquele momento onde a bomba explode?! Pois bem, isso aconteceu há exatos um ano. De lá pra cá muita coisa mudou. E o que mais mudou?! TUDO!! Mudou minha forma de ver o mundo, e principalmente, a minha relação com o meu “eu”. “Eu” que ainda é assombrado pelos fantasmas que moram no porão, mas que já não fazem mais tanto estrago como anteriormente.

Ainda tenho muitas dúvidas, sei das dificuldades que mais cedo ou mais tarde terei que enfrentar. Mais sei também que o que importa é ser FELIZ, se vai ser com um homem ou com uma mulher, não importa nesse momento. A única coisa que pretendo é SER... Me respeitar enquanto tal, seja esse “eu” lésbica ou bissexual.

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Qualquer hora dessas continuarei esse papo... Ainda estou em processo de compilação das informações “desencontradas”.

M. P.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Deus, dai-me...

Fechar os olhos,

Ouvir o silêncio,

Abrir o coração para as respostas

Que em breve virão...



Deus,

Dai-me sabedoria

E paz de espírito.




M. P.