“Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado...”
Há pouco mais de três semanas estava essa pessoa aqui sentada de frente para Drª M*** conversando sobre as minhas loucuras existências quando ela começa a ter uma crise de “super sincera” e surta. Do nada a criatura começa “esculachar” esse ser inocente (?) que não tem nada haver com os problemas dela (!)... Mimimi...
Entre as muitas coisas que ela falou uma entrou e não saiu pelo meu ouvido. E como boa (?) leonina que sou – que adora remoer as coisas e situações estressantes do dia-a-dia – fiquei em casa refletindo sobre o item “você é tão calada, a gente nunca sabe se você tá bem, ou de mau-humor, triste ou feliz...” completando o pensamento ela finaliza “você deveria se perguntar o porquê desse seu comportamento!”.
Confesso que na hora nada veio à mente que pudesse servir de resposta, mas hoje enquanto juntava coragem para sair dos braços de Morfeu e voltar à vida real, lembrei da música de Raulzito lá em cima e fiquei meditando sobre o porquê dos meus silêncios?
Porém ela falhou (?) num detalhe: eu sei porque sou assim, apesar de na hora que a pergunta foi formulada não ter havido resposta da minha parte. Sou uma pessoa tímida, extremamente introvertida e acanhada, que detesta demonstrar sinais de fragilidade. Um verdadeiro “pé no saco” como diria meu amigo Eugênio. E ninguém é mais prejudicada por esse mal do que eu mesma.
Todas as pessoas normais (ou não) no período escolar foram repreendidas pelos professores, pelo menos uma vez, para “calar a boca” durante a aula, certo? Pois bem, eu nunca fui. Para ser (super) sincera a reclamação veio por outro motivo. Lembro uma vez quando minha mãe voltou da reunião de pais e mestres (estudei num colégio de freira...) abismada comigo, pois a professora de ciências, D. Fazinha, falou que apesar de ser uma boa aluna, minha mãe deveria fazer algo, pois eu não era uma criança “normal”. Enquanto D. Fazinha perdia um considerável tempo pedido silêncio a classe, eu mal abria a boca, ou melhor, eu nunca abria a boca nem pra responder a chamada. Minha mãe perguntou se isso era verdade? Eu então respondi que sim, pois na minha cabeça não era necessário responder a chamada já que eu sentava na primeira cadeira na fila do meio (sobre protestos dos tampinhas da sala, óbvio!) usava um óculos fundo de garrafa e nunca falta uma aula sequer... O que na minha cabeça de criança era mais do que necessário para não receber nenhuma falta, concordam?
Certo, voltando ao assunto do post... Mas minha mãe esqueceu e Drª M*** não sabe que aqui em casa foi instituída a cultura do não falar. O que seria isso? Simples, quando meu pai chega do trabalho – depois de passar em todos os bares antes de chegar em casa – estávamos todos terminantemente proibidos de abrir a boca, pois ele não queria escutar nenhum ruído porque estava de “cabeça cheia” do dia estafante de trabalho. E como nessa época eu era uma boa menina que acatava tudo sem protestar, assim permaneceu até que resolvi subverter a ordem – deve ter alguma semelhança entre eu e Nelson Rodrigues além de termos nascidos no dia 21 de agosto.. rs – e expor os meus pontos de vista...
Só que o estrago já estava feito, e resumidamente, até esse exato momento sinto dificuldade de falar o que penso. E pior do que não falar o que penso e ser obrigada e expressar isso... É uma verdadeira tortura!
Provavelmente você passou a entender “Porque que eu sou tão calado...”
Ah, e só pra constar, hoje estou com um mau-humor dos infernos (TPM, sabe?!!).
Beijinhos.
Quando eu era adolescente não tinha amigos na sala de aula nem fora dela. Vivia trancada no meu quarto e nem falava com a pessoas da minha casa. Um dia eu surtei porque não aguentava mais guardar tanta coisa. Comecei a colocar minha cabeça pra fora do casco, igual uma tartaruga assustada.
ResponderExcluirHoje em dia mal se pode ligar a menina que fui à mulher que sou hoje... E eu agradeço a Deus por ter conseguido...
Beijocas