A última semana de agosto foi bem interessante... Após uma longa temporada de “exílio” do mundo exterior, resolvi viajar pra João Pessoa, aproveitei para rever alguns amigos queridos e sair da rotina - curti muitíssimo. Conheci gente nova e interessante, com a mente aberta e tal, fui ao cinema, fiz algumas compras, almocei com muitas pessoas queridas, a única coisa que não deu pra fazer foi a caminhada na praia no final da tarde, porque o dia que “guardei” pra isso choveu a tarde e não deu certo. No mais, foi tudo perfeito...
Mas não era sobre isso que resolvi aparecer aqui hoje...
Na volta para as obrigações da minha vidinha acabei pegando um livro bem casca grossa para descascar e apresentar no grupo de estudo da minha amiga. A linguagem é super acessível, mas tem muita informação, o que complica um pouco, haja vista que nunca mais tinha pegado um texto de teoria da história e estava completamente enferrujada... Um livro interessante para quem quer entender a pós-modernidade – ou como diz o autor do livro, Stuart Hall, a modernidade tardia.
Só que também não pretendo discutir o texto aqui porque já fiz isso hoje e não estou com paciência de repetir a dose. Porém teve uma parte muito interessante onde Hall vai fazer uma análise sobre a complexidade do termo identidade.
Nesse exato momento comecei a divagar (coisa que ando fazendo com uma freqüência muito grande!). Em uma parte do livro (p. 09), o autor citando K. Mercer, afirma que “a identidade somente se torna uma questão quando está em crise, quando algo que se supõe fixo, coerente e estável é deslocado pela experiência da dúvida e da incerteza”.
Dito isso, fiquei meditando alguns instantes sobre a sutileza dessa citação. Mesmo não se aplicando ao meu atual estado de dúvidas e incertezas quanto a minha vida pessoal, acho que essa frase também pode ser aplicada a essa situação complica e um tanto quanto instável, onde todas as minhas certezas foram completamente implodidas... Sempre me considerei a menininha certinha, calma, responsável. Resumindo: NORMAL.
Mal sabia eu que o buraco é mais embaixo, e que o mundo “certinho” que tinha construído pra mim não passava de uma fantasia que em nada seria útil na vida prática. Entretanto, muitas coisas “diferentes” tiveram que acontecer para que a coisa toda mudasse – e continua mudando.
Tudo começou quando eu fazia nível médio e comecei sentindo atração por uma professora de química. Nessa época essa que vos fala era a pessoa mais preconceituosa da fase da Terra. Achei que estava ficando doida e como sempre me refuguei nos livros. Estudei feito uma condenada para que os pensamentos “errados” não voltassem a atormentar.
O tempo foi passando e não senti mais nenhuma atração por mulheres. Então acabei passando no vestibular e tudo continuava “adormecido”, até que ELA (S. C.) “surgiu” na minha vida – até hoje gosto de história moderna (rs). A princípio achava que era só uma simpatia momentânea, já que gostava muita da disciplina e da forma como ela ensinava. Então comecei a ficar paranóica de novo. Pensamento como: “Só posso estar ficando completamente doida. Isso não é normal...” passaram inúmeras vezes pela a cabeçinha de vento...
Foi exatamente nesse momento que várias coisas aconteceram na minha vida. Meu pai faleceu, sofri um acidente e passei quase 3 meses sem andar e para piorar, a pessoa aqui ainda precisava gostar de mulheres... Tudo isso acrescentando a uma dose exagerada de carência emocional contribuiu para o surgimento do TOC.
Até hoje me pergunto como não enlouqueci na época... Terminei a graduação e logo em seguida entrei na pós-graduação, o que acabava não dando tempo para pensar na minha orientação sexual. Só que quando tudo começa a se “ajeitar” – a tal professora não “existia” mais e a obrigação com o mestrado sugava todas as minhas energias - os problemas “mentais” tornaram-se mais presentes, ao ponto de interferirem no único aspecto da minha vida que eu comandava com mãos de ferro – minha vida profissional. Acabei caindo de produção e as cobranças na pós só aumentando...
Sabe aquele momento onde a bomba explode?! Pois bem, isso aconteceu há exatos um ano. De lá pra cá muita coisa mudou. E o que mais mudou?! TUDO!! Mudou minha forma de ver o mundo, e principalmente, a minha relação com o meu “eu”. “Eu” que ainda é assombrado pelos fantasmas que moram no porão, mas que já não fazem mais tanto estrago como anteriormente.
Ainda tenho muitas dúvidas, sei das dificuldades que mais cedo ou mais tarde terei que enfrentar. Mais sei também que o que importa é ser FELIZ, se vai ser com um homem ou com uma mulher, não importa nesse momento. A única coisa que pretendo é SER... Me respeitar enquanto tal, seja esse “eu” lésbica ou bissexual.
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Qualquer hora dessas continuarei esse papo... Ainda estou em processo de compilação das informações “desencontradas”.
M. P.
Um belo texto! Acho que vc deveria exercitar mais se abrir no blog, já que percebo que é o lugar que vc tem mais facilidade... Talvez isso te traga resultados positivos.
ResponderExcluirQuanto a ser lésbica, vc já tá careca de saber que eu não tenho problemas quanto a isso. Preferia ser lésbica a ter que lidar com o machismo masculino que me incomoda profundamente, esse jeito que o homem tem de usar a mulher como empregada, mãe, puta e etc... A impressão que tenho é que as mulheres querem um homem, os homens precisam de uma mulher pra sobreviver, porque são eternos filhos... Nossa, como gostaria de poder descansar de tudo isso, ser bissexual pra mim seria o ideal.. rs
Espero que continue se encontrando cada vez mais em seus questionamentos...
Beijocas