"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Das minhas saudades

Então, de repente, sem pretender,

respirou fundo e pensou que era bom viver.

Mesmo que as partidas doessem, e

que a cada dia fosse necessário adotar uma

nova maneira de agir e de pensar, descobrindo-a

inútil no dia seguinte — mesmo assim era

bom viver. Não era fácil, nem agradável. Mas ainda

assim era bom.Tinha quase certeza.

(Limite Branco – Caio Fernando Abreu)


Ontem, lembrei MUITO DE VOCÊ e deu uma baita saudade. Uma saudade que chegou a dor no coração. Aos pouquinhos a ficha vai caindo. Niede Guidon estava falando sobre pinturas rupestres e a serra da Capivara, e foi IMPOSSÍVEL não lembrar, não doer, não sangrar.


A mim parecia que tinha sido ontem que aquela menina magra e desengonçada entrava na sala de aula da universidade pensando que já era gente. E você, como mestre e coordenador do curso foi dar as boas vindas aos "bichos" falando que era hora de abandonar as ilusões, que a época de faculdade é a melhor e a pior das nossas vidas, e que o mundo era muito injusto e ninguém naquela sala iria ter vida mole.


Dito e feito. Foram momentos únicos, intensos, de muitas aventuras e muitas caras quebradas. Mais que valeram muitíssimo a pena. Hoje sei que se for realmente fazer outra graduação nada será como antes. Naquele tempo tudo era visto com outros olhos. Olhos que viam os acontecimentos pela PRIMEIRA VEZ, e como toda primeira vez é única, inenarrável... É mágica.


Mágica, essa é a palavra certa. Porque tudo tinha o brilho do novo. O novo que move a juventude (e olha eu aqui falando com a cabeça de uma velha careta que você tanto criticava) sedenta de mudanças.


Já faz pouco mais de um mês e ainda sinto sua presença... Seja nas pinturas rupestres, nas músicas do Pink Floyd, nas de Zeca Baleiro, Cazuza cantando Down em mim. Nas roupas pretas, nos braceletes de couros cheio de taxinhas, na sua moto parada na garagem da casa de Samara. Tudo isso martela essa falta...


“− Não quero lembrar. Faz mal lembrar das coisas que se foram e não voltam. (...)Não sinto raiva, não sinto nada. Sinto saudade, de vez em quando. Quando penso que podia ter sido diferente.”(Onde andará Dulce Veiga – Caio Fernando Abreu)

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