Ter saído com meus amigos ontem para mostrar a cidade me levou a um tempo que não tenho mais. Um gosto ao mesmo doce e azedo de saudade. Saudade do que foi e não é mais. Ontem sai e vi como tudo mudou e como meu poder de observação anda fazendo falta. Conversamos, rimos, bebemos, comemos pizza, fizemos planos para a USP em julho, de assistir algum jogo do Timão (que seja libertadores) nos dias que iremos passar em Sampa, que sabe até um show de Rita Lee (Deus, por favor!) e o final de semana no Rio. Falamos sobre a nossa profissão, sobre ser historiador, sobre como a gente precisa sempre do passado, do presente e do futuro.
A II Semana de História foi/está sendo uma experiência única. É uma carga na bateria que anda cansada. Saber que outras pessoas compartilham as mesmas preocupações com os rumos da educação, saber que mesmo com todas as dificuldades, ainda assim insistem em continuar, nos dá uma leveza de espírito que levá-nos a enxergar uma luz no fim do túnel.
A conferência de abertura foi simplesmente a coisa mais linda e emocionante que presenciei na academia. V. chamou uma professora da época de graduação (que se acha uma velha historiadora, como ela mesma falou, batendo a porta da aposentadoria e que teve a maior felicidade quando a filha mais nova revelou que iria fazer história na Unicamp) para proferir a palestra. Esta muito emocionada por ver os seus “meninos” (V. e R.) coordenando um encontro de historiadores, não conseguiu segurar as lágrimas e deixou a emoção correr solta. Foi como uma libertação, aquela sensação de que tudo que se fez não foi em vão, e todos percebemos e sentimos na pele uma espécie de ritual de passagem, quando os velhos abrem espaço para os mais novos, mostrando os caminhos que foram trilhados, as heranças e as dificuldades que iremos enfrentar...
M. S. R. primeiramente agradeceu a oportunidade, e começou falando para os futuros e novos historiadores, lançando a pergunta: “Que historiadores vocês querem ser?”. Durante toda a fala ela se utilizava de canções, poemas, e chamava a atenção para a necessidade de recorrer aos clássicos da história (Marc Bloch – Apologia da História ou Oficio do Historiador e George Duby – A História continua). Confesso que nessa hora me senti um pouco culpa, faz tempo que não leio esses livros. E nunca alguém me falou de forma tão convincente sobre a importância desse tipo de texto
Em vários momentos M. S. R. recorreu a Oração do tempo, a poemas de Clarice Lispector e trechos de Apologia da história para justificar a sua fala e sua preocupação como os futuros e atuais historiadores. E ficou claro pra mim que nunca existirá ex-professor e nem ex-historiador. São práticas que se complementam e nunca poderão ser anuladas, porque pensar e fazer pensar vai muito além dos muros da escola ou dos gabinetes.
Durante e depois da conferência, pensei tanta coisa... Vivi tantos momentos únicos... Vi que a vida continua, apesar de...
Enquanto eu, A. e MM viajávamos na maionese, a esposa de MM ligou e comunicou que final era verdade, ela estava grávida. Ele então, entre lágrimas de felicidade nos falava na luta deles para ficarem grávidos. E quando as emoções voltaram ao normal, MM falou que iria ler Apologia da História para o/a filho/a dele, e que mesmo que ele/a não queira ser historiador/a fará de tudo para que a criança tenha uma consciência história sobre o seu tempo.
E foi assim... Um final de tarde e inicio de noite que nos reservou várias surpresas.
FIM
Nenhum comentário:
Postar um comentário