"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia dos mortos, coração e saudade


“Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento
Lágrimas negras caem, saem, doem”

(Lágrimas negras - Otto)




Estou aqui tentando montar um texto sobre as 5 coisas que não gosto em mim e as 20 que gosto. Pra ser sincera as 5 coisas já vão em quase 10.. E as boas estão me dando trabalho. Mas irei fazer. Quero ir para a terapia com o dever de casa cumprido.


...............

Definitivamente não gosto do dia de hoje... Por isso faço de conta que é apenas mais um dia, mas mesmo assim a saudade não me deixa esquecer.


Já gostei de Igreja. Hoje em dia só entro nelas para conhecer e admirar a beleza arquitetônica ou quando alguma amiga se casa. Em cemitérios nunca fui chegada. A morte sempre me assusta. Não a morte em si, mas os seus desdobramentos. A ausência, a saudade, a espera em reencontrar o outro, a angústia de saber quando isso vai acontecer, e as todas as coisas que acabam desestabilizando as pessoas fracas como eu. Apesar de acreditar na imortalidade da alma, na reencarnação, às vezes isso não é suficiente para acalmar o coração. Ele parece ser um pouco “burro” e exige de todas as formas a presença, o abraço, o carinho palpável que não está mais presente. Presente, vai ver que é isso. O coração é presente e a saudade é passado querendo ser presente. Vai ver é por isso que insisto tanto em viver no futuro que não existe... Futuro que começa com a mesma letra “F” de Fuga.

Para aqueles que vão a Igreja ou ao culto, rezem para os mortos e, principalmente, para os que estão vivos e se encontram mortos, pois esses precisam muito mais de ajuda.


Enquanto isso ficarei aqui no meu mundinho lendo Caio Fernando Abreu, ouvindo minhas músicas e sentindo saudades.


M.P.

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