"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Estou desanimada, chateada, irritada, e não, não estou na TPM. Nem sei explicar essa sensação conflitante que se instalou aqui no meu peito. Vai ver é essa época do ano que sempre vem me atormentar. Ou quem sabe seja apenas constatação da grande injustiça que faz parte do nosso itinerário no planeta Terra. Ou quem sabe seja porque definitivamente ODEIO O NATAL e suas “conseqüências”! (Ou pior, perdi completamente a sanidade e só me resta agora camisa de força e eletrochoque para acalmar meus dias?)

Não tenho paciência para tanta frescura mercadológica que esse período traz a tona. Não suporto papai Noel, presentes, árvore de natal, parentes e suas verdades absolutas, essa necessidade de querer parecer uma família de comercial de margarina, sem nem sequer se conhecerem o suficientemente bem, sem parecerem artificiais (Durante muito tempo fiquei me perguntando se eu não era adotada, porque não existe uma explicação lógica para não me enquadrar nos padrões familiares, mas a minha semelhança física com o meu pai é tão grande que nunca passou de uma idéia louca... QUERO MINHA NAVE MÃE DE VOLTA!).

Enfim, esse clima de FELICIDADE SÚBITA que toma conta da população mundial, a mim parecer ser de uma hipocrisia sem precedentes que se repete religiosamente todos os anos em nome de um sentimento de compaixão. Pura balela! Nós temos o ano todo para ajudar uns aos outros, mas parece que só no mês de dezembro “o espírito do Natal” consegue “tocar” os corações de pedra, gelo ou sei lá de que material duro e insensível é composto o meu, o seu, o nosso coração, e ai, boom, como um passe de mágica “todos” passam ajudar os mais necessitados.

Assim como sei que toda regra tem exceção, nesse caso acho poucos, bem poucos, casos onde a exceção vira regra. Felizmente existem pessoas que ajudam os outros de bom grado, pela simples vontade de ajudar, de ver a alegria estampada no rosto do seu semelhante. Mas também sei que a imensa maioria da sociedade está pouco se lixando para a quantidade de pessoas que estão passando fome, que não tem onde morar, que estão vivendo (?) em péssimas condições de vida, etc, etc, etc.

Sinceramente, às vezes bate uma desesperança, um descrença na humanidade. Será que algum dia a gente vai ter condições de olhar menos pra dentro e ver o nosso entorno? Ver que existe vida além das paredes confortáveis da nossa sala de estar?

Gostaria muito de ter essas respostas, mas infelizmente não as tenho. E nem sei se viverei o suficiente para vê-las respondidas. Às vezes fico me pergunto se não seria muito melhor seu fosse uma alienada que não tem a mínima consciência dos meus atos, da situação degradante que o mundo atravessa, e da falta de humanidade da humanidade? Seria tão mais fácil pegar dinheiro, ir para uma festa de forró de plástico, beber a noite toda e me “divertir” sem a menor preocupação com a quantidade de garotos, senhores, mulheres que passam a festa catando as latas de cerveja vazias que consumimos em nome dessa tal “Felicidade”... E novamente me pergunto: Felicidade de que? Somos hipócritas, e pior do que isso, nós estamos tão acostumados em ver a desgraça alheia, que o sofrimento nada mais significa. Essa situação passou a fazer parte do que se convencionou chamar de “NORMAL”. E outras vezes me pergunto: o que é normal?

Normal é entrar num shopping comprar um monte de presentes para pessoas que não fazem (na maioria das vezes) a menor diferença nas nossas vidas. Normal é gastar todo o nosso suado dinheirinho com quinquilharias e mesquinharias sem necessidade alguma, pois essas coisas/objetos em nada ajudam a mudar a vida das pessoas que estão nas ruas, morando debaixo do viaduto, passando fome e sem ter para onde ir no tão PROPALADO NATAL!

É... Acho que estou precisando de “algum remédio que me dê alegria”, porque mais uma vez essa época do ano vem bater a minha porta, e mais do que nunca, enxergo a disparidade entre ricos e pobres.Não vou dizer aqui que não vou a shopping, festas e etc, mas tenho que confessar que evito, pois sei que tão logo deixe esses lugares me pegarei pensando nas pessoas que não tem condições de fazer o mesmo que eu. Sei também que “Toda essa droga/já vem malhada/Antes de eu nascer...”, mas não posso me isentar da minha parcela de culpa diária na perpetuação dessa situação... E aqui também coloco minha cara a tapa.

Nunca acreditei, nem por um segundo, no socialismo, mas acho – preciso acreditar - que a EDUCAÇÃO ainda pode mudar o rumo desse planeta. Quando nós deixarmos de sermos egoístas, mesquinhos, poderemos ver a grandeza e a beleza que se esconde atrás de cada coração HUMANO. Então poderemos viver plenamente a felicidade e o amor, tal qual o grande mestre falou há mais de 2000 anos atrás e que ainda estamos longe de perceber as sutilezas das suas palavras “AMAR AO PRÓXIMO COM A SI MESMO”. Quem sabe outros São’s Francisco’s, Madre’s Tereza’s de Calcutá, ou tantos outros homens e mulheres possam nos ensinar a sermos seres humanos melhores.


Bom, esse foi um post desabafo de uma pessoa que estava precisando jogar todas as suas frustrações pra fora, no intuito de não morrer “envenenada” com seus próprios pensamentos e constatações da ridícula condição humana... E que agora está um pouco melhor... Pelo menos vai conseguir se olhar amanhã no espelho e tentar ser um pouquinho melhor a cada dia que passa.


M.P.

Um comentário:

  1. Ótimo post! Eu penso a mesma coisa, essa época de Natal me irrita um tanto com todo esse consumismo e hipocrisia que vem embutidos... Bem... Só nos resta passar pelo Natal, porque estamos vivas... rs

    Eu tb já me perguntei e me perguntar se eu era adotada, de tão diferente que sou da minha família... A gente tinha que merecer uma família igual a nosso jeito de pensar... rs... Eu quero isso de presente do Papai Noel... ahahah

    Eu venho de uma fase muito conflituada como a sua e agora estou melhor, mas das festas do final de ano não escapo, devo entrar numa deprê até porque vem todo esse balanço que fazemos. Isso é um saco!

    Beijocas, linda!

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