A gente não sabemos
Escolher presidente
A gente não sabemos
Tomar conta da gente
(...)
Inútil!
A gente somos inútil!
Inútil!
A gente somos inútil!
Pois é, viva a sociedade brasileira!! Mais uma vez estamos mostrando de uma forma bem visível o quanto somos despreparados intelectualmente para “perceber” a manipulação da mídia. E o pior de tudo, o quanto ainda estamos na Idade da pedra lascada, porque deixar um homofóbico, machista, troglodita, intelectualmente desestruturado (“hétero não pega HVI”), emocionalmente falido permanecer em um programa que pretende mostrar a “cara do Brasil” é no mínimo aterrorizante, do tipo: MEU-DEUS-DO-CÉU!
Será realmente que é essa a nossa cara? Há um bom tempo venho pensando em todo esse “contexto” que um Big Brother pode acarretar para a estereotipação de uma sociedade que se diz livre de preconceitos. Uma sociedade que vende uma imagem de “país das maravilhas”, onde todas as diferenças convivem em paz e harmonia e que ontem (hoje e sabe-se lá até quando...) deixa um Marcelo Homofóbico Dourado (Nazista) permanecer nos representando num programa que é vendido para o mundo todo.
E quando lembro que esse é apenas uma pequena parcela, ai sim o medo aumenta de proporções... Se levarmos essa situação para outros aspectos da nossa vida, veremos o quanto ainda somos despreparados. Até esse momento só se fala em BBB 10, quando isso passar, chegará a vez da Copa do Mudo, e ninguém, repito, NINGUÉM (com raras exceções) vai lembrar que esse ano tem eleição – logicamente, só lembraremos quando começar a “campanha” de compra e venda de votos –, que 2010, antes de ser o ano da Copa, vai definir (bem ou mal) nosso futuro político, social, econômico e etc. até 2014.
Escândalos como esse que estamos vendo em Brasília (a Capital da Esperança – Esperança de quê?) com a cúpula de Arruda não tem surtido nenhum efeito. E mais uma vez a grande preocupação é/será quem ganhará o BBB, ou quem Dunga vai levar para a Copa?!
Tudo bem, nem só de política e discussões econômicas vive o homem. Nós também precisamos de um pouco de “circo”. Reconheço, sou uma fanática pelo meu time do coração, do tipo que veste a camisa e desliga o telefone na hora do jogo para ninguém azucrinar. Mas antes de ser torcedora, sou BRASILEIRA. E como brasileira consigo muito bem separar uma coisa da outra e VER as coisas que estão ERRADAS, FAZ CRÍTICAS e ELOGIOS quando necessários. E não ADMITO em hipótese alguma que venham me diz que o BBB representa a sociedade brasileira. É querer menosprezar os anos que passei na escola, na universidade e agora, em sala de aula. É querer me dizer que não sou capaz de discernir o que quero para mim e os meus.
Sem querer ser pessimista, mas já sendo, a noite passada foi apenas uma pequena amostra (de proporções gigantescas para os pensantes) do futuro que nos espera. Dia 03 de outubro logo, logo vai chegar e com essa nossa grande capacidade de “escolher nossos representantes”, então já estou esperando a grande BOSTA que vem pela frente.
Representantes... É até irônico, mas foi inevitável fazer esse paralelo ente essas duas situações tão distintas e complexas, mas que ao mesmo tempo se interligam. Não que o BBB vá interferir na minha vida ou na sua, até mesmo porque só interessa aos participantes, a toda poderosa Rede Globo e aos anunciantes, mas ela é importante por mostrar de forma gritante o que as pesquisa sociológicas, historiográfica e antropológicas já vem “cantando” a muito tempo: A NOSSA TOTAL FALTA DE PREPARO PARA PENSAR ANTES DE AGIR, E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS FUTURAS. Somos incapazes de reconhecer que todas as nossas escolhas tem sim importância, e que mesmo esse programa, cuja a credibilidade é questionável, coloca a prova a nossa razão.
Sei que poucas pessoas irão ler e menos ainda concordar comigo, mas como falou Arnaldo Jabor: “Em terra de cego, caolho não é Rei. É Louco!”. Então sou mais uma louca (ironicamente corinthiana) que merece uma camisa de força e terapia de eletrochoque porque não consegue ficar calada vendo a coisa toda afundar num mar de lama.
Tudo bem, estou num momento bem Cazuza (Brasil, mostra a tua cara), bem Renato Russo (Que país é esse?) e não abro mão de questionar essa realidade tão assustadora em que estou envolvida até a cabeça. Alguns poderão (e deve) dizer que nem tudo está perdido. E, sinceramente, preciso acreditar que as coisas vão melhorar, pois do contrário, perco licença para ir rasgar meu diploma, pois não vejo nenhuma finalidade em ser professora senão for para (pelo menos tentar) fazer um mundo melhor. E nesse ponto, fazer diferente do poeta, não ficar em cima do muro assistindo a tudo, ou participando das festas do “Grand Monde”, não esquecer jamais que um dia EU QUIS MUDAR O MUNDO!
E esse foi mais um post desabafo.
Ana Elizabete
oi moça!
ResponderExcluirsaiba que eu li, tudinho.
e pede uma camisa de força pra mim também, tô junto! só não sei se ainda acredito que a coisa vai melhorar, cada vez mais me isolo do mundo e não quero me envolver, talvez seja só uma fase, afinal tenho a alma inquieta...
Seu texto é uuma espécie de antítese do meu. :)
ResponderExcluirGostei do que escrevestes e concordo com tudo. Somos, sim, filhos de uma sociedade arcaizante. Mas ainda bem que somos (eu e vc) pessoas com pensamento repaginado. Filhos bastardos da mesma sociedade que deixará o Dourado no BBB.
Meus textos, ao longo dos anos, vem se tornando sintético demais (pelo fato de que eu mesmo odeio ler muito na tela do notebook). E as minhas análises podem, às vezes, sairem meio atropeladas.
Gostei do seu blog. Vou segui-lo.
Bjos.
Adorei! eheheh
ResponderExcluirAté agora não sei o que mais me deixa indignada com essa idolatria ao Dourado, que pra mim é forjada pela Globo, forjada talvez não, mas manipulada... eheheh...
É com muita tristeza que vejo uma criatura daquela virando notícia... Aquilo era pra ser ignorado...
Não duvido nada que ele se candidate a deputado e ganhe...
Beijocas