Bom, muito do que vou falar hoje não é nenhuma novidade pra quem me conhece, e olhe que nem precisar ser meu amigo/a de infância... Vamos aos fatos.
Sempre que Manuel Carlos começa uma novela não consigo deixar de assisti-lá. Ele consegue unir duas paixões confessas da minha alma. Tudo acaba se passando no Rio de Janeiro (a cidade Maravilhosa, podem os assaltantes e a Globo venderem a imagem que quiserem, em breve vou nessa terra linda) e a trilha sonora é simplesmente sensacional e me remete a um tempo não vivido, mas que faz uma falta danada, já que adoro Bossa Nova (a década de 50 e 60 foram realmente As Décadas).
Certo, mas não é sobre isso que vim aqui... Quem acompanha a novela já deve ter visto a personagem Renata, interpretada por Bárbara Paes. Em Viver a Vida ela interpreta uma alcoólatra. Eis o ponto: ela é alcoólatra! Em circunstâncias normais isso não quer dizer nada, mas esse assunto mexe comigo de formas assombrosas. E mexe num sentido muito negativo.
Meu pai foi durante quase toda a vida dele um alcoólatra inveterado, daqueles que não aceitam a doença e que acaba prejudicando e infernizando a vida de todos dentro de casa [talvez um dia eu fale sobre isso aqui...]. Até hoje tenho uma imensa dificuldade em encarar esse tipo de coisa de frente. Na verdade, nem gosto de falar sobre esse assunto, mas desde ontem venho pensando nisso...
Ontem teve uma cena em especial na novela que me fez reviver algumas situações desagradáveis que vivenciei. A dita personagem se machucou após uma bebedeira e quando chegou na casa de uma amiga e teve os devidos cuidados médicos, dar-se prosseguimento a cena e o diálogo entre a mãe do namorado de Renata e o namorado [desculpe, mas não lembro os nomes dos personagens, nem dos artistas] me fez lembrar o quando a nossa vida foi difícil e como esse ponto ainda é frágil.
Não consigo lembrar direito o diálogo, mas foi mais ou menos assim... A mãe olha o filho cuidado da namorada e fica chorando baixinho. Quando o filho sai do quarto ela diz algo como: “Não sei se tenho mais pena de você ou dela”
Essa situação pode parecer banal, mas não é. Talvez tenha muito mais alcoólatras pelo mundo do que desconfia nossa vã filosofia. Personagens como a Renata de Manuel Carlos devem existir aos montes.
Puxando esse assunto para o cotidiano que presenciei... Minha relação com meu pai sempre foi extremamente conturbada, a gente não se dava nada bem. No fundo sempre quis colocar toda a minha raiva na pessoa que bebe – no caso meu pai. Não conseguia entender [talvez não quisesse mesmo] como uma pessoa se entrega dessa forma? Sem reagir? Porque não buscar ajudar pra sair? Porque não se deixa ser ajudado/a?
Hoje, depois de muito refletir sobre o assunto, percebo que a chave da questão está dentro de cada pessoa. Talvez elas tenham um grave problema de baixa estima. Falta de amor próprio. Não sei, não estou querendo simplificar as coisas, sei que a questão genética tem seu peso, mas seria muito sacanagem esquecer dos elementos emocionais.
Não vou me estender muito porque sei que ainda não estou pronta. Mas não posso deixar de pensar que tenho uma dívida muito grande para com essas pessoas. Ainda não sei como ajudá-las, só sei que não posso passar por essa vida de braços cruzados. Caso algum dia venha a ganhar na MegaSena ou outra solução apareça, gostaria, quem sabe, de abrir uma clínica para dependentes químicos...
Não quero divagar muito, mas tenho que fazer alguma coisa... Espero que não demore muito..
Bem esse post mexeu comigo...
ResponderExcluirTb gosto muito das novelas do Manuel Carlos, exatamente pelos diálogos que são ricos e pela profundidade que ele dá a cada personagem...
Essa cena da Renata que vc comentou no seu post, me fez chorar e muito... Ela mexeu demais comigo, não pelo meu pai que tb é alcoólatra e não bebe mais hoje em dia, mas por mim mesma. Eu me vi completamente na pele da Renata! Eu já passei por aquilo, porque fui viciada em drogas misturadas com álcool, uma época bem triste da minha vida e que se arrastou por anos... E o que acontece com a gente é bem aquilo mesmo mostrado na cena... Todos sentem pena da gente e depois essa pena vira raiva... Esqueci o número de vezes que voltava machucada pra casa como a Renata voltou, como eu chorava quando aquilo acontecia, e como via todos em volta me olhando com aquela cara que olhavam pra Renata... Enfim... Chorei muito aqui, acho que chorei por todos, pelo namorado, pela mãe do namorado, pelas amigas da Renata e por ela mesma... Eu vou querer acompanhar a novela direitinho pra ver como vai ser o desenrolar dessa personagem que está sendo muito bem interpretada pela atriz.
E eu sou a prova viva que podemos sair dessa e dar uma grande volta por cima...
Beijocas
olá moça
ResponderExcluirAdorei a sua visita e comentário no meu blog.
Li seus quatro últimos posts.
Desejo boa sorte nessa viagem, desejo que se encontre e que encontre a moça dos olhos azuis.
E que o choro tenha feito bem apesar do nó no peito. Que venham os sorrisos.
beijo