"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sessão com a psicóloga parte IV

“Falar é mágico
Calar é tático
Desfazer é árduo
Esperar é sábio”

E lá vamos nós de novo...

Ontem teve terapia.

Sempre faço terapia uma vez por semana pra conversar com uma profissional sobre os assuntos que me afligem. Já faz um bom tempo que não falo sobre isso, mas agora senti necessidade de desabafar aqui (a última vez que falei sobre a terapia foi dia 11 de agosto). Vamos ao texto.


Há algumas semanas que sinto que estou travada nas sessões. Sei que ninguém em sã consciência gosta de ficar sobre pressão, e isso não é diferente comigo. Drª M. tem feito uma marcação cerrada sobre alguns assuntos que “mexem” comigo, e quando não consigo responder as suas indagações, ela fala a palavra “CONFIANÇA” que me deixa super mal, uma vez que geralmente vem acompanhada por outras: “SEXO”, ‘SEXUALIDADE’, “HOMEM”, “MULHER”, “PERSONALIDADE”, “MEDOS” e outras que acabam se transformando em uma mistura explosiva comparável a uma bomba atômica no quengão.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo semana passada. Saí tão arrasada da sessão por não ter dito o que estava sentido, por ter faltado sinceridade da minha parte, que quase não consegui acalmar o coração. Fiquei me perguntando o “porque” de tudo isso? Porque não consigo dizer tudo de uma vez, sem rodeios? É um fato, me cobro muito e caio nesse tipo de armadilha, de nunca confiar nas pessoas. Sei que tenho inúmeros defeitos e talvez esse seja um dos maiores, mas tenho consciência que tenho que mudar isso...

Então foi com esses pensamentos que fui ontem para a sessão. A princípio achei que seria “massacrada” por tudo que aconteceu na semana anterior, principalmente porque tive que trazer “tarefa pra casa” (quando isso acontece, tipo: tomar banho de olho fechado, trabalhar com a mão esquerda, passar 15 minutos olhando para uma moeda... e por aí vai, já significa que o bicho vai pegar...). No entanto, isso não aconteceu.

Na sessão tudo correu super bem, consegui falar tudo... Especialmente o “porque” em determinados momentos não consigo abrir o coração. Expliquei que tenho certo medo/receio de falar sobre meu lado “negro” porque sei que é o meu ponto frágil, onde toda a minha força/escudo/barreira nada pode fazer para que eu não me machuque. Também falei que não gosto de me mostrar vulnerável, fraca. É como se isso fosse destruir uma parte “preciosa” de mim. Uma parte que “gosto” de se manter escondida para não “assustar” as outras pessoas, ou no caso, para não me assustar mesmo, uma vez que a única que deve se preocupar com o meu mundo sou eu mesma! (“Os outros são os outros e só”)

Então eis que a “revelação” aparece. Drª M. fala: “era justamente nesse ponto que queria que você chegasse. Você é uma colcha de retalho! Você deixa de ser você (com medo, angústias, alegrias, ilusões, etc.), deixa de ser a Ana “verdadeira”, para ser uma Ana “falsa” para agradar os outros. A Ana que é boa filha e não faz nada para contrariar a mãe, A Ana que é o exemplo para os irmãos. A Ana que é boa aluna, amiga, sobrinha, etc. e esquece de ser a Ana que tem medos, defeitos e, logicamente, qualidades. Deixa de ser você, para ser uma outra pessoa, e isso é muito negativo para a Ana verdadeira. Essa sua busca para agradar todos faz com que a verdadeira Ana fique subjugada, relegada a um segundo plano”.

E o pior foi ter que concordar com ela. Esse é o meu mal, não consigo fazer nada que possa desagradar os outros com quem tenho algum vínculo afetivo. É uma espécie de “dependência química” para conseguir o reconhecimento, os elogios dos outros como “prêmio” de consolação pelos esforços prestados para “sufocar” a Ana verdadeira.

O poder dessa conclusão me deixou sem chão. Ainda estou um pouco perdida refletindo sobre isso. No momento o que mais me angustia é descobrir como essa Ana verdadeira vai aparecer, ou talvez seja até pior, como é Ana verdadeira?

Mas não estou com presa. Pela primeira vez na vida estou me dando esse tempo pra amadurecer, para me conhecer, mesmo que pra isso tenha que recorrer a ajuda de “terceiro”.


Por hoje é só


M.P.

Um comentário:

  1. Eu já desagradei quase todos que gostam de mim... Minha família então, vixe, já desistiu de mim. Sou uma ovelha negra...

    Meu movimento ultimamente tem sido pra me comportar, parecer menos excêntrica... Enfim, queria tanto ser como essas pessoas "normais" que crescem, fazem faculdade, arranjam um emprego, casam, tem filhos e almoçam com a família aos domingos... rs

    Beijocas

    ResponderExcluir