25 de junho, dia de São João. Ou seja, feriado no Nordeste. Em outros anos você estaria eufórica, mas como não é o caso, vamos a um relato de família.
Você não ta de ressaca (o Xamegão está bombando, segundo os meus amigos), não pegou o beco para a praia mais próxima (que inveja de L. e H.), então, significa dizer que você ta presa em casa. E como “castigo” pela sua completa falta de competência, aquele primo “chato” da sua querida mãe resolve fazer uma visitinha logo no início da manhã – leia-se 8 horas da madrugada, no exato momento em que você se prepara para tomar seu café em paz... Pois bem, mal ele chega e você desisti de tomar café da manhã sozinha. Então pega uma maça e vai para o seu “reino” (seu quarto) fazer alguma coisa de útil (?). Lá você encontra tudo que precisa: cd’s, livros, PC com net, e paz – quase o paraíso (!), se não fosse pelo mar de questionamentos no qual sua mente tem se tornado de uns tempos pra cá.
Vez por outra, quando seu pensamento dá um tempo, você percebe que seu primo “favorito” continuar a conversar com sua querida mãe (ele fala alto para caramba, mesmo seu quarto ficando longe léguas do terraço da sua casa, mesmo com o agravante de ser quase surda do ouvido direito, ainda assim você consegui escutar a “conversa”!)
Então você continua se fingindo de morta, reclusa no seu templo... Acaba achando alguma coisa interessante pra fazer, tipo: terminar de ler o livro do Jostien Gaarder.
Nesse ínterim você percebe que o silêncio volta a reinar. Em outras palavras, seu primo querido foi embora (\0/)! Você nem liga muito, afinal de contas está empolgadíssima com o final do livro. Pronto, terminando a leitura, você percebe que a fome chegou com força, e não mais que de repente sua querida mãe grita:
- O almoço ta pronto!!
Você pensa: “viva, estou morrendo de fome.”
- Já estou indo, você fala.
Então se dirige pra a cozinha na mesma velocidade que o jamaicano Asafa Powell ganhador dos 100 metros rasos da última Olimpíada. Lá chegando faz seu prato quase na mesma velocidade. Antes da primeira colhera sua mãe comenta:
- Nunca tinha visto Dedé tal triste.
- E o que aconteceu? (Você faz uma média para parecer interessada no assunto).
- Ele ta triste porque o filho mais velho resolveu assumir que é gay!
Você fica calada digerindo a comida e a informação, correndo o risco de ter uma indigestão, porque nessa hora você pensa: “Grande coisa, ele deveria ficar triste se o filho estivesse fazendo alguma coisa de errado, tipo: ter sido demitido do trabalho Federal (!) porque roubou ou extorquiu dinheiro de terceiros, ou coisa que o valha”.
Mas não, você fica calada, tudo para garantir que a paz siga reinando no seu “reino”.
No entanto, sua mente não cansa de pensar: “Perdemos uma ótima oportunidade de conversar sobre nosso, digamos ‘probleminha’”. Só que você logo nota que fez bem ter ficado calada. Percebe que sua mãe em quanto come parece estar em outro planeta. E você ali olhando para ela, pensando “trocaria fácil, fácil meu almoço por uma pista sobre esses pensamentos...”.
Infelizmente você dificilmente saberá o que se passava naquela cabeça. Entretanto na sua cabeça... Será que ela desconfia de alguma coisa? Por que terminou tão abruptamente a conversa? Vai saber...
Você tira a mesa, limpa a cozinha e volta para seu “templo” e desata a escrever sobre o ocorrido, e seu quengão continua a maquinar inúmeras questões que continuaram sem resposta por um tempo...
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Estive pensando sobre o que vamos (Mary e eu) conversar na sessão de amanhã...
Fico imaginando o que ela quis dizer sobre “manter relações afetivo/sexuais com mulheres antes de ter tipo qualquer tipo de relação com homens pode te trazer sérios traumas...”.
Caso amanhã permaneça com a cabeça no lugar como hoje, tenho certeza que a sessão será esclarecedora. Tenho uma enxurrada de questionamentos para serem feitos, mesmo sabendo que eu mesma terei que buscar as respostas. Mas o fato de verbalizá-las já consiste num avanço e tanto para os meus próprios padrões de “normalidade”.
Por hoje é só!
Seria tão mais fácil se a homossexualidade não tivesse esse estigma...
ResponderExcluirUma vez um amigo gay meu, chegou chorando na minha casa porque o pai dele disse que preferia ter um filho ladrão, assaltante de banco que um gay (claro que ele não usou esse termo suave)... Fiquei muito triste com isso...
Beijocas e espero que as coisas se esclareçam cada vez mais pra ti...
Beijocas
Que você continue assim questionadora! Parabéns pelo blog! Semana de luz!
ResponderExcluirEstive por aqui em visita!! Abraços Aemar!!
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