"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"
Caio Fernando Abreu.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Novembro_ou­_das minhas angústias

Fico me perguntando se algum dia encontrarei motivos para gostar desse mês. Sinceramente, pra mim ele não passa de uma antecipação da pior época do ano. Já falei aqui algumas vezes como ódio o Natal e não tenho nenhuma intenção de repetir... Só que estou com mais de 24 horas ligada e o cansaço bate no quengão e nada parece fazer sentido... Como se algum dia tivesse feito.

Ontem, voltando da faculdade, fiquei me perguntando onde diabos eu estava quando não pulei fora em quanto ainda tinha tempo... Acho que sou cabeça dura demais, ou realmente sou masoquista e ainda tento encontrar o lado positivo da educação – que são bem poucos, diga-se de passagem. Nesse período, em comparação ao anterior, tenho uma turma excelente de alunos no curso de Serviço Social (sem correr o risco de dizer que mais da metade da turma serão ótimos profissionais). Em compensação a turma de Administração é um horror. Para não ser injusta com todos, salvam-se 10 alunos (sendo muito generosa!) e ontem, um destes alunos veio falar comigo sobre a insatisfação dele com relação ao curso. Ele falou que o curso precisa passar por uma modificação urgente, pois os poucos alunos que realmente querem alguma coisa estão tentados a abandonar, porque nas palavras dele: “não tem cabimento a gente pagar XXX reais e não ter aulas que prestem, ou então, professor sicrano e fulano deixar a ‘turma do não quero nada com a vida’ tomar de conta da sala de aula”.

Na hora, não soube muito o bem o que falar, porque na verdade nunca-sei-o-que-falar, mais a situação é muito complicada. Se fosse eu no lugar dele, não pensaria duas vezes, trancava o curso e faria um vestibular para uma federal ou até mesmo outra faculdade que tem o mesmo curso... Mais fico me perguntando até que ponto essa situação não é colaborada por eles, os alunos que querem alguma coisa. Pense comigo...

Se a turma tem 27 alunos e desses 10 querem alguma coisa, porque não colocar os 17 nos eixos? Não estou falando de briga, mas de conversa. Se eles convencem os 17 a ficarem calados em sala de aula ou saindo para tomar água, ir ao banheiro, telefonar.. sei lá, qualquer desculpa, para não ficarem atrapalhando em sala de aula, as coisas ficariam muita mais “fáceis” (isso existe em educação?).

Porque se tem uma coisa que eu odeio é ficar parando a aula para pedir silêncio, e olha que sou uma pessoa ligeiramente explosiva, eles mesmo já viram algumas demonstrações e já até sabem quando estou chegando no meu limite... Só que a situação é diferente quando a gente passa a analisar a mesma relação “conturbada” em sala de aula de uma instituição federal. Lá nós temos a nosso favor a possibilidade de “pedir gentilmente” que o aluno se retire. Já em uma instituição privada o buraco é mais em baixo... E ai incide um dos principais erros da educação superior privada: o aluno paga e manda!

E quando as coisas passam a funcionar dessa forma, a tendência é: erro na certa. E não estou sendo pessimista, mas a minha pouca experiência de vida me permite saber que o equilíbrio ainda é a melhor saída para qualquer situação, inclusive, na educação superior.

Amanhã irei participar da II Semana de História da UFCG como coordenadora de um Simpósio Temático sobre História da Educação e Ensino de História, já até sei o tipo de pessoas que vou encontrar na sala. Os que acreditam num futuro melhor proporcionado por uma educação de qualidade (alunos sonhadores da graduação que ainda não pegaram uma sala de aula); os que não acreditam mais na educação e muito menos no futuro do país (professores de ensino fundamental e médio que não vêem a hora de se aposentar); e os que, como eu, ainda acham que o Brasil tem salvação apesar dos pesares (os otimistas de “carteirinha”).

E o que mais me angustia é saber que nesse exato momento estou muito mais propensa ao segundo grupo – os que não acreditam... No entanto, já tenho consciência que meu discurso tem que ser condizente com a minha prática e a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo foi ter pegado a turma de Serviço Social. É só por eles que ainda tenho ânimo de sair de casa nas quarta e sexta a noite para dar aula. Mesmo quando eles estão cansados ou eu estou cansada, a aula rende mais do que uma aula “boa” em Administração. Sei que a “culpa” pelo sucesso ou fracasso não é só do professor, mas bate um desespero quando planejo uma atividade e não a vejo ser cumprida da forma que planejei. E isso é super frustrante. Sabe porque?

A universidade nunca nos prepara para esse tipo de situação-limite, quando a coisa foge de controle. E mais uma vez reafirmo a importância do estágio, não só para os profissionais da educação, mas para todas as categorias. Ela é a chave para o posicionamento/entendimento da realidade do seu campo de trabalho. Por isso, sou completamente a favor de que o estágio seja iniciado ainda nos primeiros períodos de faculdade, pois só com a vivência se pode ter a dimensão dos sabores e desabores. Porque as vezes o que vejo são profissionais que não sabiam aonde estavam se metendo e que acabam fazendo com a imagem de toda uma categoria seja vista como lixo. E mais uma vez, isso não serve apenas para a educação. Existem péssimos profissionais em todas as áreas.

Vou parar por aqui de encher a paciência de vocês com esse assunto chato. Eu realmente precisava colocar isso pra fora, pois venho refletindo muito sobre tudo que aconteceu comigo esse ano. E a educação tem sido um item importantíssimo na lista.

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